Dario Durigan, atual secretário-executivo, assume o comando do Ministério da Fazenda após a saída de Fernando Haddad (PT) da pasta. A transição foi confirmada nesta quinta-feira (19) pelo próprio Haddad, durante evento em São Paulo.
A mudança marca a ascensão de um nome considerado técnico e discreto, mas com forte articulação nos bastidores do governo. Durigan deve liderar a política econômica do país até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Fernando Haddad, sua saída ocorre para que ele possa concorrer ao governo paulista nas próximas eleições. A indicação de Durigan como substituto foi feita publicamente por Lula.
Perfil e Trajetória de Dario Durigan
Advogado formado pela Universidade de São Paulo (USP), Dario Durigan construiu sua carreira entre o setor público e a iniciativa privada. Ele atuou em áreas estratégicas do governo federal e possui experiência recente no setor de tecnologia.
Durigan iniciou sua trajetória na advocacia privada antes de ingressar no serviço público em 2009, como procurador vinculado à USP. Posteriormente, ganhou espaço no governo federal, atuando na Advocacia-Geral da União (AGU), tanto na área de gestão quanto no gabinete da instituição.
Entre 2011 e 2015, durante o governo de Dilma Rousseff, ele integrou a subchefia de assuntos jurídicos da Casa Civil. Já em 2016, participou da gestão municipal de São Paulo como assessor, período em que se aproximou de Fernando Haddad.
No setor privado, entre 2020 e 2023, Dario Durigan atuou como diretor de Políticas Públicas do WhatsApp, trabalhando com temas ligados à regulação, comunicação e relações institucionais. Seu retorno ao setor público ocorreu em 2023, já no atual governo, como secretário-executivo da Fazenda.
Nesse período, Durigan foi braço direito de Haddad e peça-chave na formulação de medidas econômicas. Ele participou diretamente da elaboração de iniciativas voltadas à recomposição de receitas, incluindo mudanças tributárias, além de atuar na articulação da reforma tributária sobre o consumo e na renegociação de dívidas dos estados.
Desafios no Ministério da Fazenda
À frente do Ministério da Fazenda, Dario Durigan terá a tarefa de conduzir a agenda econômica em um período sensível, marcado pela campanha de reeleição de Lula. Este contexto tradicionalmente aumenta a pressão política sobre decisões fiscais e amplia o embate com a oposição.
Entre os temas que devem dominar o debate estão mudanças nas relações de trabalho, como o possível fim da jornada 6 por 1, além de discussões sobre tributação de lucros e rendimentos. Também entram no radar propostas de revisão de benefícios sociais e alterações nos encargos sobre a folha de pagamento.
Outro ponto central será a continuidade da implementação da reforma tributária. O governo trabalha para colocar em prática a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) a partir de 2027, com 2026 sendo um ano-chave para testes e regulamentações. No campo tributário, um dos temas mais sensíveis que devem avançar no Congresso é o imposto seletivo, que promete gerar debates intensos no Legislativo.

