O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu em Brasília, na última segunda-feira (2), com os senadores Otto Alencar (PSD), que preside a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, e Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo na Casa Alta. O encontro, que não estava previsto na agenda oficial, focou na delicada crise política que atinge a base aliada do Partido dos Trabalhadores na Bahia.
A principal pauta da conversa foi o racha dentro do PSD baiano, um partido estratégico para a sustentação do governo. A tensão aumentou após o senador Angelo Coronel decidir deixar o PSD e romper com o grupo que apoia o governador Jerônimo Rodrigues (PT) no estado. Essa decisão, que pegou muitos de surpresa, aconteceu no sábado, dia 31.
A raiz do racha no PSD da Bahia
Angelo Coronel anunciou sua saída do PSD e a quebra de laços com o grupo governista porque não aceitou ser excluído da chapa majoritária. Para ele, essa "rifa" representou um desrespeito à sua trajetória e ao seu espaço político. A perda de um senador enfraquece a base aliada e gera incertezas sobre o futuro da coalizão no estado.
Desde que a notícia veio à tona, surgiram rumores de que Otto Alencar poderia perder a liderança do partido na Bahia. No entanto, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, fez questão de desmentir a informação, reforçando a importância de Alencar para a sigla.
"Otto é fundador do partido. Desde o início faz um trabalho extraordinário pela Bahia. A executiva nacional é clara: o partido aí segue sob o comando dele. As diretrizes são dele", afirmou Kassab em entrevista à rádio CBN, demonstrando total apoio ao senador baiano.
Essa intervenção de Lula na crise baiana sublinha a preocupação do governo federal em manter a estabilidade de sua base de apoio nos estados, especialmente em um colégio eleitoral tão importante quanto a Bahia. A saída de um membro-chave de um partido aliado pode gerar um efeito dominó, exigindo uma articulação rápida e eficiente para contornar a situação.
Além da crise baiana, a reunião também abordou a indicação do atual ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A discussão sobre a sucessão na corte máxima do país é um tema sensível e estratégico para o governo.
A movimentação no Palácio do Planalto mostra a articulação do presidente para resolver impasses políticos, garantindo a coesão da base aliada e avançando em pautas de interesse nacional, como as indicações para o STF, mesmo diante de tensões regionais.

