A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado Federal encerra suas atividades na próxima terça-feira (14). A comissão conclui os trabalhos sem ouvir mais de 90 pessoas que haviam sido convocadas ou convidadas para depor.
A principal razão para o encerramento é a falta de autorização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para prorrogar os trabalhos por mais 60 dias. Além disso, muitos nomes importantes, especialmente autoridades do Judiciário, não compareceram às sessões.
Dados da CNN indicam que a CPI aprovou a oitiva de pelo menos 110 pessoas, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), governadores e especialistas em segurança pública. No entanto, apenas 18 depoimentos foram realizados durante toda a investigação.
Ausências e o impacto na investigação
Entre os nomes que não foram ouvidos estão os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, que foram convidados, mas não compareceram. A comissão também tentou ouvir o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha, que foram convocados.
Ambos não prestaram depoimento após decisões judiciais que autorizaram suas ausências. Outro objetivo da CPI do Crime Organizado era ouvir pelo menos 11 governadores e seus secretários de Segurança Pública para traçar um panorama do combate ao crime organizado nos estados. Contudo, apenas o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, participou das audiências.
A CPI foi criada para apurar a atuação, expansão e o funcionamento de facções criminosas no Brasil. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, avaliou que a prorrogação seria inadequada às vésperas do início do calendário eleitoral deste ano.
O relator da comissão, senador Alessandro Vieira, afirmou que o encerramento impede o avanço na apuração de "fatos de alta gravidade", como o caso do Banco Master. Com o fim dos trabalhos, a CPI do Crime Organizado deve apresentar seu relatório final.

