O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o leilão de dez veículos de luxo apreendidos na Operação Sem Desconto. A ação investiga um esquema de fraudes e roubos de benefícios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Federal (PF), que alertou para o alto custo de manutenção e o risco de proteção dos automóveis nos pátios. Além do leilão, seis veículos foram incorporados à frota da PF para uso em ações de campo.
Segundo a Polícia Federal, entre os modelos que serão leiloados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) estão um Lamborghini Urus S, avaliado em R$ 2,44 milhões, e exemplares de Porsche 911, Panamera, Taycan e um BMW M3 Competition. Os lances mínimos variam de R$ 69,7 mil a cifras milionárias.
Investigação e Contexto da Operação Sem Desconto
A maior parte do patrimônio apreendido pertence ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado nas investigações como o líder do esquema. O empresário Maurício Camisotti e sua esposa, Cecília Montalvão Simões, também figuram como proprietários.
O caso ganha contornos políticos com o avanço da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS no Congresso. O relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), deve pedir o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no relatório final da CPMI.
Documentos e depoimentos sugerem que Lulinha atuou como lobista para o grupo, abrindo portas no Governo Federal, especialmente no Ministério da Saúde. Um ex-funcionário de Camilo Antunes afirmou à comissão que Lulinha recebeu uma “mesada” de R$ 300 mil. A PF investiga se o dinheiro foi escoado por meio de empresas de terceiros ou “laranjas”, já que não há registros de transferências diretas.
Outra situação sob análise é uma viagem internacional para Lisboa, realizada por Lulinha e o “Careca” no mesmo avião. A investigação da Polícia Federal busca esclarecer todos os detalhes do esquema de fraudes no INSS e a participação dos envolvidos.

