Política

Presidente da Bolívia associa facções criminosas a terrorismo

Rodrigo Paz defendeu a classificação de grupos como PCC e CV, ecoando posição dos EUA e citando prisão de narcotraficante ligado ao PCC
Por Redação
Presidente da Bolívia associa facções criminosas a terrorismo
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O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, afirmou nesta segunda-feira (16) que organizações criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), geram um sentimento de terrorismo. A declaração ocorreu após questionamento sobre a classificação dessas facções terrorismo.

A inclusão desses grupos na categoria de terrorismo é uma mudança de entendimento defendida pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Paz se reuniu com Trump no início do mês, em uma cúpula com chefes de Estado de direita da América Latina.

Segundo Paz, a Bolívia realizou um esforço importante ao entregar um dos principais narcotraficantes que geravam instabilidade no país. "Hoje em dia, nossa sociedade está mais livre", disse o presidente boliviano, após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Combate ao crime organizado e cooperação regional

Rodrigo Paz se referia à prisão do uruguaio Sebastián Marset, ligado ao PCC, que foi detido no último dia 13 e extraditado para os EUA. "O grau de classificação do terrorismo é múltiplo, é diverso, mas para nós, ter feito o que fizemos no dia a dia é central em nossa missão, contra o crime organizado, contra as máfias, mas contra o terrorismo, porque são parte de um ciclo de terrorismo", complementou.

Durante a visita oficial a Lula, os presidentes assinaram um acordo de fortalecimento das Ações de Cooperação e Coordenação contra o Crime Organizado Transnacional. O documento prevê parceria na busca de fugitivos, especializações para forças policiais e troca de informações para combater o crime organizado e as facções terrorismo.

O governo brasileiro, no entanto, tem evitado a designação de CV e PCC como organizações terroristas. A avaliação é que a medida poderia abrir brechas legais para intervenções dos EUA em território nacional, além de gerar receio de exploração política do tema.