Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelou uma aliança surpreendente entre o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), as duas maiores facções criminosas do Brasil. A notícia, que impacta diretamente a segurança pública em estados como a Bahia, onde a atuação dessas organizações é monitorada, surge de evidências encontradas em celulares apreendidos.
A Operação Contenção Red Legacy, conduzida nesta quarta-feira (11), desvendou mensagens e documentos que confirmam o acordo. Entre os achados, um "Comunicado Geral" datado de 25 de fevereiro de 2025 anuncia uma "nova aliança de paz, justiça, liberdade, lealdade e fraternidade" entre o CV e o PCC, marcando um "dia histórico" para o crime organizado.
Detalhes da Aliança entre CV e PCC
O memorando interceptado é explícito ao declarar o fim da guerra entre as facções, que por anos disputaram territórios e poder em diversos estados brasileiros. "Deixamos todos cientes de que, a partir da data de hoje, 25/02/2025, data essa histórica, o CV e o PCC estão colocando fim a esta guerra e refazendo uma nova aliança", afirma o texto. A comunicação ainda convida outras organizações criminosas a se unirem, reforçando o lema de que "o crime fortalece o crime".
Lideranças e Objetivos do Pacto
A Polícia Civil identificou Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca e líder do Comando Vermelho no Rio de Janeiro, como um dos principais articuladores do acordo. Ele teria mantido contato direto com lideranças do PCC em São Paulo. O pacto visa, entre outros pontos, reduzir as baixas internas no crime organizado e negociar uma trégua entre os blocos conhecidos como “Tudo 2” e “Tudo 3”.
Além disso, a aliança busca flexibilizar regras do Sistema Penitenciário Federal (SPF), que impõem restrições a visitas íntimas e limitam o contato de chefes de facções com advogados e familiares. Rumores sobre essa possível união já circulavam desde 2024, e a movimentação das duas organizações tem sido monitorada em presídios estaduais, incluindo o Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A informação inicial sobre as negociações foi divulgada pelo portal Metrópoles.

