Salvador, na Bahia, se transformou esta semana no palco do 14º Encontro Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). De segunda-feira, dia 19, até sexta-feira, dia 23, a expectativa é que cerca de 3 mil integrantes do movimento se reúnam para debater e traçar novos rumos. Este ano é especial, pois o MST completa 42 anos de história no dia 22, bem no meio das discussões. O evento marca um momento significativo, sendo o primeiro encontro nacional realizado pelo movimento desde 2009.
Ao longo dos cinco dias, a pauta do encontro é recheada de temas que tocam o coração da atuação do MST. Os participantes vão mergulhar em debates sobre a eterna luta pela terra e a construção da chamada Reforma Agrária Popular. Esta reforma vai além da simples distribuição de terras, buscando um modelo de desenvolvimento rural que priorize a produção de alimentos saudáveis, a preservação ambiental e a justiça social no campo. Outro ponto central é a discussão sobre a luta socialista, que propõe uma transformação mais ampla da sociedade.
Além desses temas, o encontro também vai abordar os desafios que surgem no cenário internacional e como isso impacta a organização da produção de alimentos pelas famílias que vivem nos assentamentos. A direção do MST também aproveitará a oportunidade para apresentar e votar uma nova estrutura organizacional para o movimento, buscando mais eficiência e engajamento. Eliane Oliveira, membro da direção nacional do MST, destacou os objetivos do evento:
"Esse encontro apontará para nós as próximas linhas e decisões políticas para os próximos períodos, tendo o estudo e debates sobre os desafios da conjuntura internacional e a organização da produção de alimentos pelas famílias Sem Terra, a apresentação e aprovação da nova organicidade do MST, além de muita celebração e cultura."
Para fechar a semana de intensas atividades, na sexta-feira, dia 23, o grupo fará um importante ato em solidariedade à Venezuela. A expectativa é que um representante oficial da embaixada venezuelana esteja presente, ressaltando a dimensão internacional dos debates e a busca por apoio mútuo entre movimentos e nações. Este gesto reforça a posição política do MST em relação aos acontecimentos na América Latina.

