A luta contra o racismo na Bahia ganhou um reforço importante. O Fórum Interinstitucional para Promoção dos Direitos Humanos da População Negra decidiu incluir quatro entidades da sociedade civil em seu plenário. A medida, anunciada após a segunda reunião do grupo, que aconteceu na última sexta-feira, na sede do Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA), em Salvador, visa ampliar o diálogo e a efetividade das ações para combater as desigualdades históricas no estado.
Com essa decisão, movimentos sociais, coletivos, organizações e grupos tradicionais vão ter uma voz direta na formulação e acompanhamento de políticas públicas. A promotora de Justiça Lívia Vaz, que preside o Fórum, destacou a importância dessa abertura.
"A proposta é construir um espaço de diálogo que permita compartilhar informações, identificar desafios e formular soluções conjuntas"
afirmou a promotora, reforçando a busca por um canal permanente de comunicação e ação.
A escolha das entidades participantes será feita por meio de um edital público, que deve ser divulgado em breve. As organizações interessadas deverão se enquadrar em categorias como Organizações da Sociedade Civil (OSCs), coletivos, movimentos sociais, redes comunitárias, e grupos tradicionais e de base territorial. Os critérios de seleção vão considerar a experiência e o tempo de atuação na temática racial, a presença em diferentes regiões do estado e a produção de conhecimento relevante sobre o assunto.
Combate ao Racismo e Desenvolvimento para a População Negra
O Fórum, que conta com a articulação do Ministério Público da Bahia e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), em Salvador, tem como foco principal a estruturação de sua governança e a definição de eixos prioritários para enfrentar o racismo estrutural. A iniciativa faz parte dos esforços para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 18 (ODS 18), que trata especificamente da Igualdade Étnico-Racial.
Leonel Leal Neto, coordenador do PNUD em Salvador, sublinhou a necessidade de unir forças para garantir que as políticas antirracistas gerem um impacto real. Ele explicou que a colaboração entre o sistema de Justiça, universidades e organismos internacionais é fundamental para que essas ações atinjam uma escala significativa e transformem a realidade da população negra no estado.
Grupos de Trabalho e Reuniões Regulares
Durante a reunião, foram estabelecidos dois Grupos de Trabalho (GTs) que vão atuar em áreas estratégicas: Desenvolvimento Econômico e Educação Antirracista. A criação desses GTs demonstra o compromisso do Fórum em abordar o problema do racismo por diversas frentes, reconhecendo que a desigualdade afeta múltiplas dimensões da vida das pessoas.
As reuniões do Fórum Interinstitucional vão acontecer a cada três meses, alternando entre encontros presenciais e virtuais, para garantir a participação e a continuidade dos trabalhos. Além da promotora Lívia Vaz e de Leonel Leal Neto, participaram do encontro o promotor de Justiça Rogério Queiroz, que coordena o Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos (CAODH), e a reitora da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Adriana Marmori, reforçando a representatividade institucional e acadêmica na iniciativa.

