A tentativa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de se defender de acusações sobre um possível contato com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, acabou gerando ainda mais polêmica. De acordo com informações de bastidores do STF, a nota divulgada por Moraes não convenceu seus colegas, que veem a situação como um agravamento da crise em torno da credibilidade do magistrado.
A controvérsia começou com a divulgação de supostas trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro. A principal suspeita era sobre um possível contato entre eles no dia da prisão do empresário, ocorrida no final de 2025. Essa possibilidade de comunicação entre um ministro do STF e um empresário investigado levantou sérias questões sobre a imparcialidade e a conduta.
Nota de Moraes não convence a Corte
Na última sexta-feira, dia 6, Alexandre de Moraes publicou uma nota oficial para rebater as acusações. No texto, o ministro afirmou que a ideia de ter conversado com Daniel Vorcaro no dia de sua prisão foi descartada após uma “análise técnica”.
“Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”, disse Moraes em seu comunicado.
No entanto, segundo relatos anônimos de magistrados à CNN Brasil, a explicação de Moraes não foi suficiente para dissipar as desconfianças. Pelo contrário, alguns membros da Corte teriam avaliado que a defesa teve o efeito oposto. Um dos ministros, sob anonimato, expressou a situação com a frase popular:
“A emenda saiu pior que o soneto.”
Essa declaração reflete a percepção de que a tentativa de Moraes de se afastar da crise, sem oferecer explicações mais detalhadas ou transparentes, pode prejudicar ainda mais sua imagem e a confiança na instituição que ele representa. A avaliação é que a nota, ao invés de encerrar o assunto, apenas reacendeu as discussões e levantou novas dúvidas dentro do Supremo.
Contrato da esposa com o Banco Master é lembrado
Para complicar ainda mais o cenário, a polêmica sobre o suposto contato ganha um peso extra por conta de um acordo anterior. A esposa de Alexandre de Moraes, Viviane de Moraes, havia fechado um contrato com o Banco Master, de propriedade de Daniel Vorcaro, no valor de R$ 129 milhões. Este acordo teria duração de três anos, mas foi encerrado de forma abrupta com a liquidação da instituição financeira.
A existência desse contrato prévio entre a família do ministro e o banco do empresário investigado é um dos pontos que mais gera apreensão entre os membros do STF. Eles temem que a situação crie uma percepção de conflito de interesses, minando a credibilidade não apenas de Moraes, mas de todo o Supremo. A Corte, que já enfrenta um cenário político delicado, agora lida com mais um desafio interno que exige clareza e transparência dos seus ministros para a opinião pública.

