A Câmara dos Deputados autorizou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT) em 17 de abril de 2016. A decisão, tomada há oito anos, redesenhou o tabuleiro político brasileiro e marcou a história recente do país.
Dilma Rousseff foi a segunda presidente a ser alvo de um afastamento do mandato após a redemocratização, seguindo o caso de Fernando Collor de Mello em 1992. A petista havia sido reeleita em 2014, mas enfrentou uma grave crise política em seu segundo mandato.
O embate com a Câmara dos Deputados intensificou-se após a tentativa do Palácio do Planalto de emplacar a candidatura de Arlindo Chinaglia (PT) à presidência da Casa. A iniciativa gerou um conflito direto com Eduardo Cunha (MDB), eleito presidente com apoio do 'centrão' em fevereiro de 2015.
Crise e 'pedaladas fiscais'
Eduardo Cunha, já na presidência do Legislativo, iniciou uma série de 'pautas-bombas' contra o governo. Em dezembro de 2015, ele acolheu o pedido de impeachment elaborado pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Júnior e Janaína Paschoal, que apontava possíveis crimes de responsabilidade relacionados às 'pedaladas fiscais'.
No mesmo período, o então vice-presidente Michel Temer (PMDB) rompeu com Dilma, expressando em carta sua desconfiança com as posições do governo. Segundo o cientista político Claudio André de Souza, em entrevista ao portal A TARDE, fatores como as manifestações de 2013, a Operação Lava Jato e uma crise econômica sem precedentes contribuíram para o cenário do impeachment de Dilma.
Votação na Câmara e bancada baiana
No domingo, 17 de abril de 2016, a Câmara dos Deputados votou a autorização para o prosseguimento do impeachment de Dilma. Foram registrados 367 votos a favor, superando os 342 necessários para a abertura do processo.
A bancada baiana na Câmara, composta por 39 parlamentares, teve uma votação dividida. De acordo com o levantamento, 22 deputados baianos votaram contra o impeachment de Dilma, enquanto 15 votaram a favor. Dois parlamentares, Cacá Leão (PP) e Mário Negromonte Júnior (PP), não estiveram presentes na sessão.
Entre os votos favoráveis ao impeachment de Dilma, destacou-se o do então deputado federal Jair Bolsonaro, que dedicou sua manifestação ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A postura de Bolsonaro, que se apresentava como 'outsider', ganhou notoriedade e, segundo o historiador Murilo Mello, contribuiu para a ascensão da extrema-direita e a reorganização política no país.
Próximos passos
Após a autorização da Câmara, Dilma Rousseff permaneceu na presidência por quase um mês. Em maio de 2016, o Senado Federal aprovou o relatório da comissão e a afastou do cargo. A sessão final que culminou no impeachment de Dilma ocorreu em agosto do mesmo ano.

