Lucineide dos Santos Oliveira, presidente da Igreja Evangélica Pentecostal Ministério Visão de Deus, foi indiciada pela CPMI do INSS por suspeita de lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica. Ela é acusada de repassar R$ 5,94 milhões para o BK Bank, instituição financeira investigada por lavar dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A informação consta no relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, lido na última sexta-feira (27). Além de Lucineide, outras 215 pessoas foram indiciadas no mesmo documento.
De acordo com o relatório, Lucineide realizou o repasse ao BK Bank por meio da empresa de fachada Expresso Marketing. O mesmo CNPJ também enviou R$ 9,5 milhões para a BSF Gestão em Saúde, empresa investigada na CPI da Covid-19 por supostas irregularidades em contratos com o Ministério da Saúde.
Atuação em rede familiar e religiosa
A CPMI apontou que Lucineide dos Santos Oliveira atuava como tesoureira da Associação dos Aposentados do Brasil (AAB), uma ONG envolvida em fraudes no INSS. A comissão a acusou de operar no núcleo financeiro e administrativo de uma organização criminosa que fraudava a Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Rurais (Conafer).
As investigações indicam que Lucineide geria a empresa de fachada, operacionalizava descontos indevidos e dissimulava o proveito dos crimes por meio de uma rede familiar e religiosa. Ela é considerada uma operadora estratégica na lavagem de dinheiro e na pulverização de recursos desviados de aposentados.
O relatório da CPMI detalha que Lucineide controlava empresas como Expresso Serviços de Publicidade e Marketing, Impacto Serviços de Apoio Adm e Solution Serviços de Locação e Apoio. Essas empresas, sem funcionários registrados e sediadas no Recanto das Emas (DF), receberam R$ 141,87 milhões, sendo R$ 138,9 milhões da Conafer e R$ 2,9 milhões da AAB.
Como pessoa física, Lucineide recebeu R$ 160,9 milhões entre 2019 e 2025, com R$ 113 milhões provenientes diretamente da Conafer. Essa movimentação financeira é incompatível com sua renda formal de R$ 2 mil em 2022 e seu histórico de inscrição no CadÚnico, conforme o relatório.
Outras transferências e bens de luxo
A investigação financeira também comprovou que Lucineide transferiu R$ 40 mil, em 2024, para Pedro Alves Corrêa Neto, servidor apontado como facilitador de processos de associações no INSS. Além disso, ela efetuou uma transição de R$ 600 mil, em 2024, para o Auto Posto Topa Tudo, em Minas Gerais, utilizado para branqueamento de capitais.
O relatório ainda indica que Lucineide transferiu cerca de R$ 700 mil para o escritório de Milena Câmara, filha do deputado federal Silas Câmara. Esses pagamentos ocorreram entre 2023 e 2024, período que coincide com reuniões de articulação entre o parlamentar e o presidente da Conafer.
Após o início dos grandes repasses, Lucineide adquiriu uma frota de veículos de luxo, incluindo um Porsche Boxster 2023, uma Mitsubishi Triton 2024 e um Volkswagen T-Cross 2025, bens incompatíveis com seus rendimentos. A Polícia Federal aponta que ela registrava veículos de terceiros em seu nome para blindar o patrimônio dos líderes da organização. A participação de Lucineide foi considerada fundamental na engenharia financeira que desviou centenas de milhões de reais do sistema previdenciário.
Próximos passos
O indiciamento de Lucineide dos Santos Oliveira pela CPMI do INSS é um passo importante para a responsabilização penal. O caso segue para as autoridades competentes, que devem dar prosseguimento às investigações e possíveis ações judiciais contra os envolvidos no esquema de lavagem de dinheiro e fraudes.

