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Daniel Vorcaro pesquisou juiz e contatou STF antes de ser preso

Dono do Banco Master buscou nome de magistrado na internet e enviou mensagem a ministro do Supremo Tribunal Federal, levantando suspeitas de acesso a
Por Redação
Daniel Vorcaro pesquisou juiz e contatou STF antes de ser preso
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O empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, demonstrou indícios de que sabia sobre sua prisão antes da operação da Polícia Federal. Um dia antes da primeira detenção, em 18 de novembro do ano passado, ele pesquisou no Google o nome do juiz responsável pelo caso.

O registro da busca foi encontrado no celular de Vorcaro, apreendido quando ele tentava embarcar em um jatinho. A informação foi divulgada pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Segundo a Polícia Federal, no mesmo dia da pesquisa, Vorcaro utilizou o bloco de notas para anotar: “Vocês são próximos? Ricardo Soares Leite, 10 vara criminal federal”. A mensagem teria sido enviada a um contato não identificado em modo de visualização única, o que dificulta o rastreamento.

Suspeita de acesso a dados sigilosos

Horas depois, já no dia seguinte, o empresário entrou em contato com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Na mensagem, Vorcaro perguntou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.

O material foi compartilhado pela Polícia Federal com parlamentares da CPMI do INSS. Este fato reforçou a suspeita de que Daniel Vorcaro teve acesso antecipado a informações sigilosas da investigação.

Apurações indicam que Vorcaro e seus aliados podem ter acessado sistemas do Ministério Público e da Polícia Federal. Com isso, eles teriam obtido dados protegidos sobre o inquérito em curso.

A ordem de prisão foi assinada pelo juiz substituto Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, em 17 de novembro. Este é o mesmo nome citado nas anotações feitas por Daniel Vorcaro.

Prisões e medidas cautelares

Após a primeira prisão, Daniel Vorcaro foi solto em 29 de novembro por decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Ele passou a cumprir medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de realizar operações financeiras ou deixar o país.

No entanto, em 4 de março deste ano, o banqueiro foi preso novamente pela Polícia Federal. A nova detenção ocorreu durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga crimes financeiros.