Um movimento político ousado buscou mudar o cenário do PSD na Bahia. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que se filiou recentemente ao partido para buscar a presidência da República, tentou, com o apoio de ACM Neto (União Brasil), tirar o controle do PSD baiano das mãos do senador Otto Alencar. A articulação, confirmada por fontes da legenda ao Portal A TARDE, tinha como objetivo fortalecer a chapa de oposição na Bahia.
A ideia por trás dessa manobra, que internamente foi chamada de “levante” ou até “golpe”, era entregar o comando do PSD baiano ao senador Angelo Coronel. O PSD é o partido com o maior número de prefeitos na Bahia e Coronel tem demonstrado interesse em garantir sua reeleição ao Senado.
Plano de Aliança e a Chapa de Oposição
O plano detalhado previa que Coronel e o PSD se juntassem à aliança de ACM Neto. Assim, Coronel seria o candidato ao Senado na chapa de Neto, enfrentando nomes como o ministro Rui Costa (PT) e o senador Jaques Wagner (PT), que são da base do governador Jerônimo Rodrigues (PT). Essa articulação também garantiria a Ronaldo Caiado um forte palanque na Bahia, com o apoio de muitos prefeitos do PSD e da influência do “clã Coronel”.
Um possível desenho para a chapa de oposição seria:
- ACM Neto (União Brasil): Candidato ao governo da Bahia
- João Roma (PL): Candidato ao Senado
- Angelo Coronel (PSD): Candidato ao Senado
- Ronaldo Caiado (PSD): Candidato à presidência com o apoio de ACM Neto
O senador Otto Alencar (PSD) confirmou a tentativa de Coronel de negociar o PSD com o núcleo nacional do partido, mas evitou usar a palavra “golpe” para descrever o movimento.
Gilberto Kassab frustra a articulação
Essa audaciosa articulação, no entanto, não conseguiu seguir adiante. Gilberto Kassab, o presidente nacional do PSD, foi quem barrou o plano. Kassab, que surpreendeu o mundo político ao receber Caiado no PSD na última terça-feira, 27, recusou a tentativa de tomar o controle da legenda na Bahia.
Fontes próximas a Kassab indicam que ele ressaltou a gratidão por Otto Alencar, que foi essencial na fundação do PSD e na garantia do excelente desempenho do partido no país. O PSD conta com 810 prefeitos eleitos em todo o Brasil, sendo 115 deles apenas na Bahia nas eleições de 2024, o que representa 27% das prefeituras do estado. Para Kassab, essa lealdade e o sucesso do partido eram mais importantes do que qualquer movimentação política momentânea.
Dura Traição e Tensão no Palácio de Ondina
Dentro do PSD baiano, aliados de Otto Alencar demonstraram grande decepção com Angelo Coronel. Muitos consideraram o episódio como uma “dura traição”.
“Eu não quero crer que isso realmente poderia acontecer”, disse um dos nomes ouvidos, mostrando o choque com a situação.
Paralelamente, Angelo Coronel também participou de uma reunião tensa com o ministro Rui Costa (PT) e o governador Jerônimo Rodrigues (PT) na última semana, segundo fontes ligadas ao Palácio de Ondina. Na ocasião, Coronel teria recebido a proposta de se candidatar a deputado federal, abrindo mão da reeleição no Senado. Essa movimentação abriria caminho para que Rui Costa e Jaques Wagner (ambos do PT) formassem uma “chapa puro-sangue” ao Senado. A proposta, porém, não teria agradado Coronel, gerando ainda mais tensão nas articulações para as próximas eleições.

