Uma servidora pública de Retirolândia, no nordeste da Bahia, é investigada por supostamente receber o benefício do Bolsa Família e auxílio gás, mesmo com um salário mensal de R$ 4.054,24. A denúncia, feita por moradores ao Portal A TARDE, levanta suspeitas sobre favorecimento e uso indevido de recursos públicos na gestão municipal.
Alice Santana de Andrade, diretora da Secretaria de Educação, estaria recebendo R$ 950 mensais do Bolsa Família. O repasse, segundo a denúncia, teria autorização do secretário municipal de Assistência Social e vice-prefeito, Railton Costa, conhecido como 'Rau'.
De acordo com o secretário Railton Costa, a servidora recebe o Bolsa Família desde 2017, antes de sua gestão na pasta. Ele afirmou que o município não tem controle sobre a seleção do auxílio gás, que é feita diretamente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Outras denúncias e suspeitas de nepotismo
A denúncia também envolve o marido de Alice, Ronald Sampaio, empresário local e proprietário de um posto de combustível. Ele é suspeito de manter diversos contratos com a prefeitura, especialmente com a Secretaria de Educação, incluindo locação de veículos e fornecimento de combustíveis.
Moradores questionam a legalidade desses contratos, alegando ausência de licitação em alguns casos. A situação contrasta com a realidade de famílias em vulnerabilidade no município, que dependem do Bolsa Família para subsistência.
Além disso, a denúncia aponta indícios de nepotismo. Ronald Sampaio, conhecido como Ronaldinho do RR, seria sobrinho do prefeito José Egnildo dos Santos, o Guene, e primo da secretária de Educação, Renilma Rios. A Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF) proíbe a nomeação de parentes até o terceiro grau para cargos comissionados, de chefia ou assessoramento na administração pública.
A prefeitura de Retirolândia não se pronunciou sobre as demais acusações até a publicação desta reportagem. As denúncias são investigadas pelas autoridades competentes.

