Uma nova série, intitulada 'Caravelle 114', revisita o maior sequestro aéreo da história do Brasil, ocorrido em 1970, durante a ditadura militar. A produção, baseada em fatos reais, estreia no dia 19 de maio, às 19h30, no Canal Brasil.
Dirigida por William Biagioli, a série de quatro episódios narra o desvio do voo 114 da companhia Cruzeiro do Sul. Integrantes da organização guerrilheira VAR-Palmares sequestraram a aeronave em uma viagem que atravessou a América Latina por quase quatro dias.
O caso ganhou repercussão internacional pela duração inédita do sequestro aéreo e pela presença de uma mulher com dois filhos pequenos entre os sequestradores. Segundo o diretor, a trama acompanha os acontecimentos dentro do avião e os impactos políticos da ação, que percorreu cerca de 7.500 quilômetros até Cuba.
O sequestro aéreo e o contexto da ditadura
A trama central da série foca em Miriam Gonçalves, interpretada por Camila Carneiro, uma guerrilheira que embarca com os filhos de 3 e 2 anos enquanto o marido estava preso. William Biagioli explica que Miriam simboliza a força e o impulso de quem luta por um futuro em meio à repressão.
A produção também resgata o contexto histórico em que sequestros de aeronaves se tornaram recorrentes no Brasil. Entre o fim dos anos 1960 e o início dos anos 1970, cerca de 15 aviões foram desviados por grupos contrários ao regime militar, mas o voo 114 se destacou pela dimensão da operação.
Os episódios iniciais mostram o momento em que o grupo assume o controle da aeronave e altera a rota original do voo, que partia do Uruguai em direção ao Brasil. A tensão aumenta com um confronto dentro do avião, ampliando a instabilidade entre sequestradores, tripulação e passageiros.
A reta final da série aborda as articulações políticas e diplomáticas em torno do caso. O terceiro episódio acompanha a tentativa da ditadura de interromper o sequestro durante uma escala internacional, e o desfecho mostra a fase mais delicada da operação, com negociações e pressão externa.
O elenco da série reúne atores de diversas regiões do país, como André de Oliveira, João Campos, Marcos Contreras e Bela Leindecker. Segundo Biagioli, a proposta era construir uma diversidade de perfis e sotaques a bordo do avião. A equipe contou com a colaboração de Sônia Lafoz, ex-integrante da VAR-Palmares, para a reconstrução histórica.

