Os Correios registraram um prejuízo líquido de R$ 8,5 bilhões no balanço de 2025, valor que triplicou as perdas do ano anterior. A estatal enfrenta seu 14º trimestre consecutivo de déficit, segundo dados divulgados pela própria empresa.
O resultado negativo foi impulsionado principalmente por despesas judiciais, com R$ 6,4 bilhões destinados ao pagamento de precatórios. A empresa também sofreu com a queda na receita, afetada por novas regras de importação.
De acordo com a estatal, a receita bruta da companhia caiu 11,35%, fechando em R$ 17,3 bilhões. O segmento de encomendas internacionais foi o mais impactado, com uma redução de 66%.
Impacto das novas regras de importação
As novas diretrizes de tributação sobre compras de baixo valor alteraram o fluxo do comércio global, conforme informou a empresa. Essa mudança reduziu drasticamente o volume de pacotes transportados pelos Correios, impactando diretamente a receita.
Para manter suas operações, os Correios garantiram um empréstimo de R$ 12 bilhões no final de 2025. O consórcio envolveu grandes bancos como BB, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, com aval do Tesouro Nacional.
O montante do empréstimo foi consumido por despesas emergenciais. Para 2026, o Conselho Monetário Nacional (CMN) já autorizou a captação de mais R$ 8 bilhões em crédito para a empresa.
Estratégias de reestruturação e cortes de gastos
Como estratégia para a sobrevivência, a estatal aposta em Planos de Demissão Voluntária (PDV). Em 2026, mais de três mil funcionários aderiram ao programa, com expectativa de redução de gastos em cerca de 40%.
Emmanoel Schmidt Rondon, presidente da empresa, destacou que o PDV deste ano teve duração menor e atingiu a mesma quantidade de funcionários do programa anterior. Além disso, a empresa provisionou R$ 2,63 bilhões para cobrir riscos de derrotas em ações trabalhistas.
Essas ações estão relacionadas a adicionais de periculosidade e atividade externa, indicando que a pressão judicial sobre o caixa dos Correios deve continuar nos próximos períodos.

