O cenário político brasileiro perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas neste domingo, dia 15. Renato Rabelo, que foi presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por 14 anos e deixou sua marca como uma das principais lideranças históricas da sigla, morreu aos 83 anos.
A notícia do falecimento foi confirmada pelo próprio PCdoB, que informou sobre a luta de Rabelo contra um câncer nos últimos três anos. Ele deixa a esposa, Conceição Leiro Vilan, e seus dois filhos, André e Nina.
Em uma nota oficial, o PCdoB fez questão de ressaltar a importância de Rabelo para a história da legenda:
“Renato Rabelo foi um dos mais importantes dirigentes de nossa história centenária. Nos últimos três anos, dedicou-se a cuidar da saúde, sem deixar de contribuir com o PCdoB. No período mais recente, lutou de modo tenaz contra a evolução de um câncer”, afirmou o partido.
Uma vida dedicada à militância e à construção do PCdoB
Com mais de seis décadas dedicadas à militância, a jornada política de Renato Rabelo começou cedo, na União Nacional dos Estudantes (UNE) e na Ação Popular. Foi exatamente nesse período que ele se tornou uma peça-chave para a integração da Ação Popular ao PCdoB, um momento histórico que aconteceu em 1973.
Sua trajetória foi marcada por desafios, incluindo o exílio na França, para onde foi após a trágica Chacina da Lapa, em 1976. Contudo, o retorno ao Brasil veio com a anistia de 1979, um marco que permitiu a Rabelo consolidar sua influência como um dos grandes dirigentes e um pensador teórico essencial para o partido.
Durante os 14 anos em que presidiu o PCdoB, de 2001 a 2015, Renato Rabelo teve um papel fundamental. Ele participou ativamente da Frente Brasil Popular e foi um dos nomes que contribuíram para a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 1989. Sua liderança foi crucial também para que o PCdoB se articulasse e atuasse nos governos de coalizão tanto durante as gestões de Lula quanto de Dilma Rousseff, mostrando sua capacidade de diálogo e construção política.
Mesmo nos seus últimos dias, Rabelo não se afastou da vida política e intelectual. Ele manteve participação ativa, inclusive como presidente da Fundação Maurício Grabois, da qual se tornou presidente de honra em 2025, um indicativo de seu legado duradouro.

