O presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a "ausência histórica" de empresas norte-americanas em grandes projetos de infraestrutura no Brasil. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (7), durante reunião bilateral na Casa Branca.
Lula destacou que, em governos anteriores e durante o primeiro mandato de Trump, os EUA não demonstravam interesse direto em disputar licitações de grande porte no continente sul-americano. O encontro, que durou cerca de três horas, teve como um dos pontos centrais a participação norte-americana em projetos de infraestrutura.
Segundo o presidente brasileiro, os Estados Unidos não participavam das licitações "porque não tinham o olhar voltado para esse sentido na América do Sul". Ele ressaltou o desejo de que os EUA voltem a enxergar o Brasil não apenas como parceiro comercial de commodities, mas como destino de investimento em infraestrutura e inovação.
Parceria estratégica e temas sensíveis
Além do setor de licitações, a agenda bilateral cobriu temas sensíveis e urgentes para ambos os países. O governo brasileiro busca a revisão de tarifas sobre o aço e produtos agrícolas, pautas importantes para a economia baiana e nacional.
Ficou acordada a criação de um grupo de trabalho para apresentar propostas em 30 dias. O interesse de Trump em terras raras e minerais para a transição energética colocou o Brasil em posição de destaque na mesa de negociações, evidenciando o potencial do país em recursos estratégicos.
Apesar das divergências ideológicas conhecidas, o encontro foi classificado por diplomatas de ambos os lados como "amistoso" e "produtivo". Trump, nas redes sociais, referiu-se a Lula como um líder "dinâmico" e celebrou a "excelente química" durante as conversas, sinalizando um clima positivo para futuras negociações entre os países.

