Política

Janja não desfila na Sapucaí para evitar desgaste político de Lula

A primeira-dama Janja Lula da Silva optou por não desfilar na Sapucaí, abrindo mão da homenagem a Lula para evitar polêmicas e proteger a escola Acadêmicos de Niterói, apesar da segurança jurídica.
Por Redação
Janja não desfila na Sapucaí para evitar desgaste político de Lula

Janja assistiu à apresentação ao lado do presidente -

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A primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, tomou uma decisão importante e de grande repercussão no último Carnaval. Ela optou por não desfilar em um carro alegórico no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, no domingo de Carnaval. A atitude visava, principalmente, proteger o presidente Lula e a escola Acadêmicos de Niterói, que o homenageava, de possíveis perseguições e polêmicas.

Em vez de brilhar na avenida, Janja acompanhou a apresentação de um camarote exclusivo da Prefeitura do Rio, ao lado do presidente. A sua vaga no carro alegórico foi prontamente ocupada pela cantora Fafá de Belém, que representou muito bem o espírito da homenagem.

O Motivo por Trás da Decisão

A assessoria da primeira-dama explicou a escolha em uma nota oficial, destacando que, apesar de toda a segurança jurídica para que Janja pudesse desfilar, a possibilidade de gerar críticas contra a escola de samba e o próprio presidente pesou na balança. Receber uma homenagem de uma escola de samba é uma grande honraria, e Janja preferiu se resguardar para evitar qualquer tipo de problema. A nota ressaltou que ela fez isso “para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida”.

"Mesmo com toda segurança jurídica de que a primeira-dama, Janja Lula da Silva, poderia desfilar, diante da possibilidade de perseguição à escola e ao presidente Lula por receber uma das maiores honrarias que um brasileiro pode ter, que é ser homenageado por uma Escola de Samba, Janja optou por não desfilar para estar ao lado da pessoa que ela mais ama na vida."

A decisão, tomada na quinta-feira anterior ao desfile (dia 12), não foi revelada de imediato. O objetivo era claro: não desanimar a Acadêmicos de Niterói, que se preparou com tanto carinho para o grande dia. Janja, inclusive, fez questão de descer até a concentração para dar seu apoio e carinho à escola antes de se dirigir ao camarote.

Pressão Política e o Alerta do TSE

O ambiente político na semana do Carnaval estava bastante agitado. A oposição fez uma forte pressão e chegou a acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na tentativa de barrar o desfile. A alegação era de que a homenagem ao presidente poderia configurar propaganda eleitoral antecipada.

Apesar de o pedido de liminar ter sido negado pela Justiça Eleitoral, os magistrados deixaram um aviso claro. Eles alertaram que qualquer “irregularidade” que acontecesse durante o desfile poderia ser investigada e apurada mais tarde.

A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reforçou essa postura. Ela afirmou que o Carnaval não pode ser uma “brecha” para crimes eleitorais e mencionou um “risco muito concreto, plausível, de que venha acontecer algum ilícito”, indicando que a Justiça Eleitoral estaria atenta a qualquer deslize.

Divergências e Cautela Entre Aliados

A participação da primeira-dama no desfile também gerou diferentes opiniões entre os próprios aliados do governo. Muitos ministros e outros integrantes do governo aconselharam cautela. Além disso, deputados do Partido dos Trabalhadores (PT) que seriam candidatos nas próximas eleições foram orientados a não comparecer ao evento, mostrando a preocupação com a imagem e com possíveis repercussões políticas negativas.

Assim, a escolha de Janja por uma participação mais discreta, observando a festa de camarote, foi um movimento estratégico para desviar o foco de possíveis embates políticos e garantir que a homenagem a Lula e a festa do samba pudessem acontecer sem maiores turbulências.