Política

Temer minimiza crítica de escola de samba e a chama de 'sátira política'

O ex-presidente Michel Temer reagiu à encenação da Acadêmicos de Niterói, que simulou sua ação contra Dilma Rousseff, e classificou a crítica como 'sátira política'.
Por Redação
Temer minimiza crítica de escola de samba e a chama de 'sátira política'

Michel Temer foi lembrado por escola de samba que homenageou Lula. -

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O ex-presidente Michel Temer (MDB) falou sobre a encenação da escola de samba Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, que o retratou em um momento polêmico. Temer classificou a homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e as cenas que lembravam a saída de Dilma Rousseff (PT) da presidência, assim como sua própria atuação, como uma “sátira política”. A agremiação desfilou no último domingo, dia 15, e causou bastante burburinho ao longo da Sapucaí.

Em um dos carros alegóricos que chamaram a atenção do público e da imprensa, um ator representando Temer apareceu tirando a faixa presidencial de uma atriz que interpretava Dilma. A escola de samba também trouxe para a avenida a simulação da prisão do presidente Lula, que aconteceu em 2018, reforçando o tom político e crítico do enredo.

Em uma nota divulgada à imprensa nesta segunda-feira, dia 16, o ex-presidente Michel Temer defendeu a liberdade de expressão e a tradição carnavalesca. Ele disse:

“A sátira política é parte da tradição do Carnaval. E como defensor da liberdade de expressão e da liberdade artística, não julgo as escolhas feitas como tema na avenida. Como o samba é o espaço da criatividade e da fantasia, não faz sentido cobrar rigor histórico num enredo ou questionar a troca da crítica social pela bajulação na Sapucaí.”

Apesar de minimizar a crítica em relação à sátira, Temer aproveitou a ocasião para rebater o que chamou de “ilusionismo da Esplanada”. Em sua nota, ele teceu comentários negativos sobre as políticas econômicas que o atual governo Lula está adotando. Ele mencionou a irresponsabilidade fiscal, os juros altos e o aumento do endividamento público. Temer também fez questão de lembrar as conquistas do seu próprio mandato, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência social.

“O problema é quando adotam o ilusionismo na Esplanada, promovendo a irresponsabilidade fiscal, juros altos e o endividamento público crescente — e negando conquistas, como as reformas trabalhista, do ensino médio e da previdência. É triste ver a troca da ponte para o futuro por uma volta ao passado.”

O desfile da Acadêmicos de Niterói, que escolheu homenagear o presidente Lula, gerou muita polêmica antes mesmo de a escola pisar na avenida. Adversários políticos do petista entraram com processos na Justiça, alegando que a escola estaria fazendo uma campanha eleitoral antecipada para o presidente. Uma das mudanças de última hora foi a substituição da primeira-dama Janja da Silva pela cantora Fafá de Belém em um dos carros alegóricos, que estava originalmente reservado para a esposa do presidente.