Curiosidades e Tecnologia

Hantavírus: surto em cruzeiro acende alerta, mas OMS descarta pandemia

Cinco casos e três mortes foram confirmados após embarcação sair da Argentina, mas especialistas veem baixo risco de transmissão sustentada entre humanos
Por Redação
Hantavírus: surto em cruzeiro acende alerta, mas OMS descarta pandemia
Compartilhe:

Um surto de hantavírus a bordo do cruzeiro MV Hondius, em abril de 2026, gerou preocupação global sobre uma possível nova pandemia. O navio, que partiu de Ushuaia, na Argentina, registrou cinco casos confirmados e três mortes entre passageiros repatriados na Suíça e nos Países Baixos.

Atualmente, a embarcação navega de Cabo Verde em direção a Tenerife, na Espanha. Os 14 passageiros restantes serão isolados por 45 dias em um hospital de Madrid ao chegarem ao destino final.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas, no entanto, consideram baixo o risco de o hantavírus causar uma pandemia. Segundo a epidemiologista Maria van Kerkhove, da OMS, "não é o início de uma pandemia; o risco global permanece baixo".

Hantavírus x Covid-19: Diferenças e Transmissão

A médica infectologista Clarissa Cerqueira explicou ao portal A TARDE que o hantavírus e a Covid-19 possuem "formas diferentes de causar o adoecimento". Enquanto a Covid-19 é uma infecção respiratória aguda e contagiosa, o hantavírus é transmitido principalmente por roedores.

A transmissão do hantavírus ocorre pela inalação de partículas presentes na urina, saliva ou fezes desses animais. A especialista ressalta que a doença é menos contagiosa entre humanos, mas apresenta alta letalidade, com taxa de mortalidade entre 40% e 50%.

O vírus pode provocar quadros respiratórios graves, como edema pulmonar, insuficiência respiratória e choque. "A dinâmica epidemiológica desse vírus é muito diferente, porque a transmissão ocorre a partir de roedores e não de maneira sustentada entre humanos", afirmou Cerqueira.

Casos de Hantavírus no Brasil e Prevenção

No Brasil, foram confirmados dois casos de hantavirose em 2026, no Paraná, nas cidades de Pérola d’Oeste e Ponta Grossa, conforme a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa). A infectologista Clarissa Cerqueira destaca que os casos costumam ser esporádicos e ocorrem principalmente em áreas rurais e regiões com maior contato entre humanos e ambientes silvestres.

O clima tropical e subtropical do país favorece a população de roedores, aumentando o risco de surtos eventuais de hantavírus. No Brasil, a doença se manifesta como síndrome cardiopulmonar por hantavírus, uma forma grave que pode evoluir rapidamente para óbito.

Os sintomas iniciais podem se confundir com os de uma gripe forte, dengue ou leptospirose, como febre, mal-estar e dores no corpo. A prevenção inclui evitar contato com roedores, manter alimentos em recipientes fechados e terrenos limpos. Ao limpar locais fechados, é crucial ventilar o ambiente e nunca varrer fezes de roedores para evitar a dispersão de partículas contaminadas.