Uma nova variante mpox recombinante, que combina elementos de duas linhagens já conhecidas, foi identificada recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A descoberta gera preocupação entre especialistas, especialmente após estudos indicarem que o antiviral Tecovirimat, principal medicamento usado contra o vírus, não demonstra eficácia significativa no tratamento.
A cepa recombinante une os clados Ib e IIb, associados ao surto global de 2022 e a casos recentes na África, respectivamente. A ineficácia do Tecovirimat foi detalhada em pesquisa publicada no New England Journal of Medicine.
De acordo com o estudo, o remédio não reduziu o tempo de cicatrização das lesões, não diminuiu a dor nem acelerou a eliminação do vírus em pacientes infectados. Estes resultados enfraquecem uma das principais estratégias terapêuticas utilizadas até o momento, tornando o cenário da doença mais incerto.
Desafios no diagnóstico e tratamento da nova variante mpox
Especialistas apontam que grupos mais vulneráveis, como imunocomprometidos, gestantes e crianças, ainda carecem de estudos e alternativas de tratamento específicas. Outro fator que preocupa é a dificuldade de identificar a nova variante mpox com testes laboratoriais convencionais.
Em casos detectados no Reino Unido e na Índia, apenas o sequenciamento genômico completo conseguiu confirmar a presença do vírus recombinante. Diante desse cenário, autoridades de saúde defendem o reforço da vigilância genômica, a revisão dos protocolos de tratamento e a ampliação da vacinação de grupos prioritários para evitar uma nova expansão da doença.

