Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, criador da página Choquei, foi transferido na tarde desta sexta-feira (17) para o Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, em Aparecida de Goiânia (GO). A decisão ocorreu após a Justiça manter a prisão preventiva do influenciador.
Ele é investigado na Operação Narco Fluxo, que apura movimentações financeiras suspeitas que podem chegar a R$ 1,6 bilhão. A Justiça negou o pedido de revogação da prisão, conforme informou o advogado Frederico Moreira.
Segundo o magistrado, é necessário aguardar o avanço das investigações para uma análise mais segura do caso, evitando prejuízos ao andamento do processo. Raphael estava custodiado na sede da Polícia Federal em Goiânia desde a última quarta-feira (15).
Investigação e Operação Narco Fluxo
A Operação Narco Fluxo, deflagrada pela Polícia Federal em nove estados, prendeu Raphael Sousa Oliveira sob suspeita de atuar como operador de mídia de uma organização criminosa. A investigação aponta que o grupo é responsável por lavagem de dinheiro e estelionato digital.
Os investigadores indicam que o influenciador recebia valores de outros alvos do inquérito e integraria uma estrutura criminosa que teria como principal beneficiário econômico o funkeiro MC Ryan SP. A Polícia Federal aponta que Raphael teria recebido cerca de R$ 370 mil de MC Ryan SP por serviços de publicidade.
Desse total, R$ 270 mil teriam sido movimentados entre 2024 e 2025, e outros R$ 100 mil seriam provenientes de uma transferência de origem não identificada. A defesa de Raphael afirma que ele não reconhece o remetente desse último valor, sugerindo que pode ser um intermediário, prática comum no meio artístico.
Contexto e desdobramentos
Documentos do pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos descrevem que a atuação de Raphael estaria ligada à divulgação de conteúdos favoráveis ao artista, promoção de plataformas de apostas e rifas, e possíveis ações para administrar crises de imagem relacionadas às investigações.
A operação também resultou na prisão de outros influenciadores e produtores de conteúdo, incluindo Chrys Dias, que possui cerca de 15 milhões de seguidores. A decisão judicial que embasa o caso descreve que os investigados fariam parte de uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em larga escala, utilizando apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos.
O advogado de Raphael relatou que não teve contato com o cliente após a audiência de custódia, realizada na quinta-feira (16). Segundo a unidade prisional, não são permitidas visitas nos finais de semana, e o acesso ao detento é restrito a familiares previamente cadastrados.

