Dois vírus de origem animal, ainda pouco conhecidos do público, estão no centro das atenções de pesquisadores em saúde. Eles acendem um alerta importante sobre possíveis riscos à saúde humana, com potencial para causar uma nova pandemia ou epidemia, segundo um estudo recente.
A preocupação principal reside na capacidade desses agentes de se espalharem de forma silenciosa e de sofrerem mutações. Especialistas alertam que a falta de vigilância adequada torna a situação ainda mais delicada, pois pode facilitar a adaptação e a transmissão para pessoas.
Quais são os vírus que preocupam?
Um estudo publicado na revista Emerging Infectious Diseases, ligada ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, focou em dois vilões silenciosos: a influenza D e um coronavírus canino recombinante, conhecido como HuPn-2018.
O vírus da influenza D foi descoberto pela primeira vez em 2011, inicialmente em porcos que apresentavam problemas respiratórios. Desde então, ele já foi encontrado em vários outros animais, como bois, camelos e cervos. Embora faça parte da mesma família da gripe humana, a influenza D tem uma composição genética diferente. A infecção costuma ser mais comum em pessoas que trabalham diretamente com animais.
Já o coronavírus canino recombinante HuPn-2018 foi identificado em 2021 em um paciente com pneumonia na Malásia. O que o torna especial e perigoso é seu material genético, que é uma mistura de coronavírus que já circulam em cães e gatos. Desde sua primeira detecção, vírus parecidos foram encontrados em pessoas com infecções respiratórias em outros países, como Tailândia, Vietnã e Estados Unidos.
Por que eles representam um risco?
A grande preocupação dos pesquisadores não está apenas na existência desses vírus, mas principalmente na forma como eles são monitorados – ou na falta dela. Atualmente, existem poucos testes específicos disponíveis, a vigilância epidemiológica é baixa e há poucos dados sobre o real impacto dessas infecções na saúde das pessoas.
Imagine um inimigo invisível que se move sem ser notado: é exatamente isso que a circulação silenciosa e a pouca vigilância significam. Se um vírus consegue se espalhar sem que as autoridades de saúde percebam, ele pode ganhar força e se adaptar aos humanos antes que qualquer medida preventiva seja tomada. A capacidade de mutação é outro ponto crucial, pois permite que o vírus se modifique e encontre novas maneiras de infectar e se reproduzir em hospedeiros diferentes.
Diante desse cenário, os cientistas enfatizam a necessidade urgente de aumentar a vigilância tanto em animais quanto em humanos, principalmente nas áreas rurais, onde o contato entre eles é mais frequente. Além disso, é fundamental investir mais em pesquisas, no desenvolvimento de diagnósticos e em sistemas de monitoramento contínuo para que possamos estar preparados e reagir rapidamente caso esses vírus se tornem uma ameaça maior.

