Política

Delação do Banco Master: acordo mira 15 políticos e gera tensão no STF

Controlador Daniel Vorcaro, investigado por fraudes bilionárias, foi transferido para a PF em Brasília para avançar nas negociações
Por Redação
Delação do Banco Master: acordo mira 15 políticos e gera tensão no STF
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A negociação para a delação premiada de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, entrou em fase crítica e coloca em alerta os bastidores do poder em Brasília. O acordo, planejado desde janeiro, deve implicar inicialmente até 15 políticos, incluindo nomes do Congresso Nacional.

O banqueiro, que responde por um suposto esquema bilionário de fraudes no sistema financeiro, já sinalizou que as revelações podem atingir as cúpulas do Legislativo e do Judiciário. A expectativa é que o caso gere uma das maiores crises institucionais dos últimos anos.

Nesta semana, Vorcaro foi transferido para a superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação permite ao empresário maior interlocução com seus advogados e marca a assinatura do termo de confidencialidade, passo jurídico indispensável para o início formal dos depoimentos.

Negociação e desconfiança

O relator do caso, ministro André Mendonça, adotou uma postura rígida quanto aos termos do acordo. Segundo interlocutores, o magistrado avisou à defesa que só homologará a colaboração se ela for "completa", o que inclui a exposição de eventuais irregularidades cometidas por seus próprios colegas de tribunal.

A expectativa de que a delação atinja o STF baseia-se em mensagens interceptadas pela PF no celular de Vorcaro. Os diálogos fariam referência a supostas aproximações com os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Até o momento, a defesa e o tribunal não comentaram o conteúdo das mensagens.

O avanço das tratativas ocorre sob uma sombra de desconfiança entre a PF e o Supremo em relação à Procuradoria-Geral da República (PGR). O receio de investigadores é que a proximidade do procurador-geral, Paulo Gonet, com ministros citados possa levar a um abrandamento do acordo. Em janeiro, a PGR rejeitou a colaboração de Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco", que prometia revelar esquemas envolvendo o setor de combustíveis, caciques do Centrão e membros do Judiciário.

Caso Daniel Vorcaro confirme as acusações e apresente provas, o cenário poderá desencadear uma das maiores crises institucionais dos últimos anos, unindo o submundo das fraudes financeiras ao coração do poder político em Brasília.