O Cine Glauber Rocha, localizado na Praça Castro Alves, em Salvador, enfrentou um período de intensa depredação em suas instalações, incluindo o terraço e os banheiros do quarto andar. A situação levou à restrição do acesso ao terraço panorâmico, que agora é permitido apenas a clientes com ingresso.
Segundo Claudio Marques, diretor do equipamento, o cinema registrou "comportamento inadequado e depredação do prédio" nos últimos meses. Ele lamentou a quebra de pias, furto de lâmpadas e luminárias, além dos constantes danos aos desenhos de Glauber Rocha.
A equipe do cinema realizava reparos diários devido aos constantes atos de vandalismo. A medida de limitar o acesso já apresenta resultados positivos, conforme Marques. "As pichações e depredações cessaram. Nunca mais observamos comportamentos não condizentes com o ambiente", afirmou o diretor, destacando que o Cine Glauber Rocha "voltou a ter o ambiente tranquilo e acolhedor de sempre".
Debate sobre o caráter do cinema
A restrição de acesso gerou debate nas redes sociais, especialmente após a publicação do influenciador Marcelo Filho, o Ruivo Baiano. Ele questionou a medida, associando-a a uma suposta gentrificação do Centro Histórico de Salvador e levantando dúvidas sobre a natureza pública do cinema.
Claudio Marques esclareceu que o Cine Glauber Rocha foi reformado com dinheiro privado e se mantém por esforços próprios, com exceção de apoio pontual da Lei Paulo Gustavo. Ele também destacou uma parceria com as secretarias de Cultura e Educação da Bahia, onde o aluguel devido pelo cinema é revertido para o ingresso e formação de dois mil estudantes da rede pública por mês.
Nessa parceria, o Cine Glauber Rocha arca com os custos operacionais, enquanto o estado providencia o transporte dos estudantes. A direção ressaltou que, apesar de ser um empreendimento privado, o cinema busca a democratização do acesso e a exibição do cinema nacional, oferecendo ingressos a preços acessíveis, como R$ 9 e R$ 10 diariamente.
O Cine Glauber Rocha é administrado por uma família, Marília Hughes Guerreiro e Claudio Marques, e é reconhecido por exibir grande parte do cinema brasileiro no país, com mais de 135 filmes nacionais em 2026, além de festivais.

