A autora Julia Quinn, criadora da série de livros Bridgerton, abordou a polêmica mudança do personagem Michael Stirling para Michaela Stirling na adaptação televisiva. A declaração foi feita durante entrevista na Bienal do Livro de Salvador, neste sábado (18).
A alteração, que transforma o par romântico de Francesca Bridgerton em uma mulher, gerou debates entre os fãs da saga. Segundo Quinn, a decisão partiu da equipe criativa da produção da Netflix e foi prontamente aceita por ela após a explicação dos responsáveis pela série.
"Quando eles vieram até mim, eu fiquei curiosa e quis entender por que aquilo seria uma boa ideia. E, depois que me explicaram, eu concordei. Só pedi que deixassem sempre claro o quanto Francesca amou John", contou Julia Quinn.
Contexto e Impacto na Trama
A autora reforça que, apesar da mudança de gênero, o cerne da história de Francesca permanece inalterado. "As partes mais importantes da história da Francesca são a tristeza que ela sente pelo John, porque ela realmente o amava, e a culpa por se apaixonar novamente. Eu não vejo por que isso não poderia existir em uma história entre duas mulheres", afirmou.
Para Quinn, a adaptação também amplia o alcance emocional da obra, permitindo que mais pessoas se identifiquem com as narrativas. A escritora revelou que não participa diretamente da escrita dos roteiros, mas acompanha o processo de forma estratégica, tendo acesso aos primeiros textos e conversando com a equipe sobre pontos importantes.
A decisão de permitir mudanças estruturais na obra está ligada ao contexto histórico da adaptação. Antes de Bridgerton, livros de romance raramente eram transformados em grandes produções televisivas. "Era a primeira vez na minha vida, a primeira vez em Hollywood e a primeira vez para o meu gênero literário também. Eu sabia que precisava fazer de tudo para tornar essa adaptação possível", disse a autora.
Maternidade e Representatividade
As mudanças, no entanto, não são aceitas por todos os fãs, especialmente no que diz respeito à questão da maternidade de Francesca, que nos livros tem filhos com Michael. Questionada sobre se essas questões serão alteradas na série, Quinn evitou responder, afirmando que "seria um spoiler" dizer que algo mudará.
Ao tratar de temas como racismo e homofobia, a autora destaca que a série Bridgerton opta por uma abordagem que nem sempre coloca o preconceito no centro da narrativa, mas prioriza a representatividade nas telas. "Quando falamos de preconceito, racismo ou homofobia, Bridgerton nem sempre transforma isso em espetáculo. Nem sempre coloca essas questões em evidência o tempo todo", explicou.
Presença da Autora na Produção
Julia Quinn teve acesso à mudança envolvendo Francesca com cerca de 18 meses de antecedência, o que lhe deu tempo para refletir sobre a proposta. A autora abriu mão dos direitos criativos sobre a obra, confiando na equipe liderada por Shonda Rhimes. "Eles sabem fazer televisão. Eu não vou dizer para a Shonda como fazer TV, isso não é o meu trabalho", completou.

