Mais da metade dos baianos, 50,9%, prefere a decisão de especialistas humanos em áreas críticas como saúde e finanças. É o que aponta uma pesquisa realizada pela AtlasIntel em parceria com o jornal A TARDE. O levantamento, divulgado nesta terça-feira (11), mostra que 44,2% da população aceita o suporte da Inteligência Artificial (IA) apenas de forma complementar.
Os dados indicam uma "confiança seletiva" na Bahia. Embora a tecnologia seja vista como uma aliada promissora, a preocupação com o viés algorítmico e a busca por responsabilidade ética mantêm o fator humano como pilar central nas escolhas de vida no estado.
Segundo o psicoterapeuta Luiz Hosannah Pinto, a preferência por humanos em decisões médicas ou financeiras é um traço intrínseco da condição humana. Ele explica que áreas como medicina e finanças envolvem sentimentos profundos e vulnerabilidades, como o medo da morte e o risco de falência.
Confiança na IA: Cautela e Complementaridade
A pesquisa revela que a Inteligência Artificial na Bahia está em um estágio de "testes" por parte da população. A barreira da confiança total ainda é alta, com apenas 11,6% dos entrevistados confiando "totalmente" nos resultados gerados por algoritmos. Este grupo é geralmente composto por usuários de tecnologia e jovens da Geração Z.
A maioria absoluta dos baianos, 54,8%, "confia um pouco" na IA. Isso significa que a tecnologia é vista como uma ferramenta de consulta e não como uma fonte de verdade absoluta. Para 2026, a Inteligência Artificial na Bahia é considerada uma assistente, nunca a voz final, especialmente em temas sensíveis como saúde e patrimônio.
Um motivo central para a resistência em delegar decisões importantes à IA é o medo do viés algorítmico. De acordo com os dados, 50% dos entrevistados estão "extremamente preocupados" com a tomada de decisões tendenciosas ou injustas, como em concessões de crédito. Essa preocupação impacta diretamente a área financeira, onde a imparcialidade é fundamental para o usuário.
A análise demográfica mostra que a rejeição à IA para decisões importantes não é uniforme. Apenas 24,5% dos jovens, entre 16 e 24 anos, preferem exclusivamente humanos. Esse número sobe para 74,6% na faixa etária de 45 a 59 anos. Entre quem possui apenas o ensino fundamental, 63,2% preferem humanos, comparado a 52,2% entre os que possuem ensino superior.
Os baianos parecem enxergar a IA como uma ferramenta de suporte valiosa. No entanto, o fator humano ainda é visto como o único capaz de oferecer o julgamento ético, a responsabilidade e a segurança necessários para decisões que podem mudar o curso de uma vida.

