Polícia

Vírus furtados da Unicamp: professora e doutorando são investigados

Casal é suspeito de levar 24 amostras de laboratório de alta biossegurança; parte do material foi recuperada e professora chegou a ser presa
Por Redação
Vírus furtados da Unicamp: professora e doutorando são investigados
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Pelo menos 24 vírus foram furtados da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo. As amostras de material biológico foram levadas de um laboratório NB-3 do Instituto de Biologia, ambiente que exige alto nível de biossegurança.

A professora Soledad Palameta Miller, da Faculdade de Engenharia de Alimentos, e o marido dela, o veterinário e doutorando Michael Edward Miller, são os principais suspeitos do furto. A informação foi divulgada pelo programa Fantástico, da TV Globo, no último domingo (29).

Entre as cepas transportadas ilegalmente estão vírus conhecidos como dengue, chikungunya, zika, herpes e coronavírus humano. Outros vírus menos conhecidos e 13 tipos que infectam animais também foram levados.

Investigação e Prisão

O desaparecimento das caixas com amostras de vírus foi notado por uma pesquisadora em 13 de fevereiro. Michael Edward Miller foi visto acessando o laboratório em horários incomuns nos dias 24 e 25 do mesmo mês, carregando objetos, período em que outra cientista percebeu o sumiço de outros materiais.

Análises de câmeras de segurança comprovaram que o casal frequentava o laboratório desde novembro, inclusive em momentos sem a presença de outras pessoas. A diretoria do Instituto de Biologia tomou conhecimento do ocorrido em 3 de março e, dez dias depois, encaminhou o caso à reitoria.

A reitoria acionou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Polícia Federal devido à gravidade do caso e aos riscos de biossegurança. Agentes federais realizaram buscas na universidade e na casa dos suspeitos em 21 de março.

Na residência do casal, nada foi encontrado. No entanto, na Unicamp, parte do material foi localizada em um biofreezer da Faculdade de Engenharia de Alimentos, onde Soledad Palameta Miller trabalha. Segundo as investigações, após a operação, a professora foi até outro laboratório, onde haveria mais amostras escondidas, descartou material biológico e alterou rótulos e marcações.

Soledad chegou a ser presa, mas foi liberada provisoriamente. Ela vai responder por transporte irregular de organismo geneticamente modificado, fraude processual e perigo à saúde pública. A Unicamp informou que o episódio foi um "caso isolado em consequência de circunstâncias atípicas" e que não há informações sobre as motivações do crime.

Riscos e Medidas de Segurança

Apesar do furto dos vírus furtados Unicamp, a direção do Instituto de Biologia garante que não há risco generalizado de contaminação. A segurança é mantida desde que os vírus permaneçam armazenados corretamente, em recipientes vedados e congelados.

Casos como este reforçam a importância dos protocolos de segurança em laboratórios de alto risco biológico, como os existentes em universidades e centros de pesquisa na Bahia e em todo o Brasil, para evitar a manipulação indevida de materiais sensíveis.