Duas histórias de baianos expõem os graves riscos psicológicos e financeiros do vício em apostas online no Brasil. A empresária Eliane Francini perdeu o marido, o advogado e auditor do Tribunal de Contas da Bahia (TCE-BA) Otacílio Prates Neto, em dezembro de 2025, após ele desenvolver ludopatia. Já a servidora pública Chantele Oliveira, de Coité, conseguiu interromper o ciclo de dependência, mas acumulou dívidas significativas.
Os relatos, divulgados inicialmente pelo portal A TARDE, servem como um alerta urgente sobre os perigos invisíveis da dependência digital, que afeta cada vez mais pessoas no país. O vício em jogos de azar, também conhecido como ludopatia, é reconhecido como um transtorno de saúde mental e pode levar a consequências devastadoras.
Segundo Eliane Francini, o vício do marido começou de forma silenciosa, na tela do celular, e evoluiu para uma crise de saúde mental profunda. Otacílio, que era um homem organizado e financeiramente estável, começou a pedir dinheiro emprestado e a vender bens pessoais para sustentar o hábito. Ele chegou a dever mais de R$ 1,5 milhão.
A servidora Chantele Oliveira também iniciou com apostas despretensiosas, mas logo os pequenos ganhos se transformaram em perdas e dívidas. Ela usava as redes sociais para divulgar os jogos, o que intensificou seu envolvimento. Chantele vendeu bens e chegou a esconder a situação do marido, impactando diretamente a construção da casa própria e a vida familiar.
Entenda os riscos das apostas no Brasil
A psiquiatra Sandra Peu explica que a ludopatia funciona de forma semelhante a outros vícios, ativando o sistema de recompensa do cérebro. Pessoas com dificuldade em lidar com prazer ou desprazer podem desenvolver dependência ao encontrar algo que ativa esse sistema, como o jogo. Entre os sinais estão o aumento do tempo jogando, apostas cada vez maiores e a incapacidade de parar, mesmo com prejuízos financeiros e sociais.
O psicólogo Gabriel Reis complementa que o mecanismo da dependência está no sistema de recompensa cerebral, impulsionado pela dopamina. O cérebro associa o jogo ao prazer, fazendo com que a pessoa continue buscando essa sensação, mesmo diante de perdas. O vício em apostas no Brasil não se resume apenas ao dinheiro; muitas vezes, o indivíduo joga para fugir de um desconforto emocional.
Os especialistas alertam para sinais como isolamento, mudanças de comportamento, uso excessivo do celular e problemas financeiros frequentes. Eliane Francini, que hoje transforma o luto em luta, faz um apelo para que as pessoas entendam a seriedade do problema: “Entrar pode até ser uma escolha, mas sair nem sempre é”. Chantele, em recuperação, reconhece a ilusão e alerta para as dívidas, ansiedade e tristeza que o vício traz.

