Um conflito administrativo na Universidade Federal da Bahia (UFBA) coloca em risco cerca de R$ 35 milhões destinados a obras de engenharia pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC Universidades). A controvérsia gira em torno da proposta de desmembrar a tradicional Escola Politécnica (EPUFBA) para criar dois novos institutos de engenharia, gerando um impasse que afeta diretamente a infraestrutura acadêmica no estado.
A discussão, que se arrasta há quase uma década, divide o corpo docente e ameaça a conclusão de construções paralisadas no campus da Federação, impactando a formação de futuros engenheiros na Bahia.
A Proposta de Desmembramento e o Risco dos Recursos do PAC
A direção da Escola Politécnica defende a criação do Instituto de Engenharia Industrial e do Instituto de Engenharia Elétrica e Computação, argumentando que a medida especializaria a gestão e modernizaria a estrutura. No entanto, um grupo significativo de professores e estudantes manifesta preocupação com a fragmentação acadêmica e a possível perda de verbas federais, cruciais para a modernização da infraestrutura da engenharia na UFBA.
Os R$ 35 milhões do PAC estão vinculados a um anexo da Politécnica, cuja obra está inacabada. A criação dos novos institutos, segundo a direção, seria um passo para abrigar atividades de pesquisa e pós-graduação nesse novo espaço. Contudo, críticos apontam a falta de diálogo e o risco de que a disputa atrase ainda mais a liberação e aplicação desses recursos.
Argumentos Contra a Divisão e a Busca por Consenso
Professores como Luiz Rogério Pinho de Andrade Lima, da Engenharia de Minas, criticam a proposta, alegando que a criação de novas unidades é um processo complexo e demorado, que exige amplo consenso e planejamento. Ele questiona a falta de diálogo e a viabilidade de funcionamento dos novos institutos sem uma estrutura física definida, comparando a divisão a um movimento separatista.
José Batista Oliveira Júnior, também da Engenharia de Minas, reforça a necessidade de um debate mais aprofundado, destacando a diversidade de cursos na Politécnica e a importância de um consenso para mudanças tão profundas. Ele lembra que a Escola Politécnica, ao longo dos anos, expandiu de seis para onze cursos de engenharia, e que qualquer alteração estrutural deve ser cuidadosamente discutida com todos os departamentos.
A Posição da Direção e os Próximos Passos
O diretor da Escola Politécnica, Marcelo Embiruçu, afirma que a proposta da “Nova Politécnica” foi construída coletivamente ao longo de quase quatro anos, com a participação de diversos eixos independentes. Ele ressalta que a conclusão do anexo não está diretamente vinculada à criação das novas unidades, embora o projeto do anexo tenha sido pensado para abrigar as futuras instalações.
Apesar da aprovação da proposta pela congregação da Politécnica, a decisão final cabe ao Conselho Universitário (Consuni), que conta com 62 votos, incluindo representação estudantil. A resistência interna e a necessidade de aprovação do Consuni indicam que o futuro dos institutos de engenharia na UFBA e dos recursos do PAC ainda é incerto, com impactos diretos no desenvolvimento da engenharia baiana.

