As Testemunhas de Jeová passaram a permitir que seus fiéis utilizem o próprio sangue em procedimentos médicos, desde que ele seja retirado e armazenado previamente para uso posterior. A mudança, conforme a BBC News, atualiza as regras sobre transfusões e impacta as decisões médicas de seguidores em todo o mundo.
Na prática, a nova orientação autoriza o uso da chamada autotransfusão em cirurgias programadas. Nesse modelo, o paciente pode ter seu próprio sangue coletado antes do procedimento e recebê-lo de volta durante a operação, sem a necessidade de sangue de doadores.
Apesar da flexibilização para o uso do próprio sangue, a proibição de transfusões com sangue de outras pessoas permanece. A doutrina do grupo continua baseada na interpretação bíblica de que é necessário “abster-se de sangue”.
Impacto para os fiéis e contexto no Brasil
A nova regra amplia as opções para procedimentos eletivos, especialmente cirurgias planejadas com antecedência. Em situações de emergência ou que exigem transfusão imediata, no entanto, a restrição ao uso de sangue de doadores permanece inalterada.
As Testemunhas de Jeová contam com cerca de 9 milhões de seguidores globalmente, sendo aproximadamente 900 mil no Brasil. A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em 2022 reconheceu o direito das Testemunhas de Jeová de recusar transfusão de sangue, reforçando a autonomia dos pacientes.
A atualização doutrinária sobre o uso do próprio sangue oferece uma alternativa para os membros da comunidade que necessitam de intervenções cirúrgicas, alinhando a prática médica com suas convicções religiosas.

