Polícia

Terrenos de Ronaldinho 'Fachada' em Fraude Milionária do Banco Master

Investigação do MPF e Banco Central aponta que terrenos de Ronaldinho Gaúcho foram usados como 'fachada' para captar R$ 330 milhões em CRIs que não foram para obras. O dinheiro teria sido redirecionado para fundos do próprio Banco Master, enquanto Ronaldinho e sócios negam conhecimento.
Por Redação
Terrenos de Ronaldinho 'Fachada' em Fraude Milionária do Banco Master

Ex-jogador Ronaldinho Gaúcho -

Compartilhe:

Uma grande operação financeira, que usa terrenos atribuídos ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho como suposta “fachada”, está sob forte investigação do Ministério Público Federal (MPF) e do Banco Central. O caso envolve o Banco Master e uma captação impressionante de R$ 330 milhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) que, ao que tudo indica, não foram parar onde deveriam: em empreendimentos imobiliários reais.

Os investigadores apontam que, em vez de financiar construções, o dinheiro captado no mercado financeiro foi redirecionado para fundos ligados à própria instituição bancária, em um esquema que pode ter servido para inflar artificialmente os balanços do Banco Master. O objetivo, segundo as autoridades, seria melhorar seus indicadores financeiros e aumentar sua capacidade de atrair mais recursos, sem a existência de projetos imobiliários concretos.

Entenda como funcionava o suposto esquema

De acordo com o MPF, o Banco Master utilizava o Fundo City 02, do qual era o único cotista, para emprestar dinheiro a outras empresas. Essas empresas, por sua vez, transferiam quase todo o valor recebido para fundos administrados pela gestora Reag, que, por conta de irregularidades, acabou sendo liquidada pelo Banco Central.

Uma parte crucial dessas operações começava com a emissão de CRIs. Estes são títulos financeiros que servem para antecipar recursos para projetos de construção, tendo como garantia créditos imobiliários. É como um empréstimo que tem um imóvel como base. Em agosto de 2023, por exemplo, a Base Securitizadora emitiu R$ 330 milhões em CRIs para a empresa S&J Consultoria. O lastro (a garantia) dessa operação incluía terrenos em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, entre eles, duas áreas ligadas a Ronaldinho Gaúcho.

“Os terrenos utilizados como lastro funcionavam apenas como uma ‘fachada’ para a captação de recursos. Enquanto os títulos circulavam no mercado e reforçavam os balanços do banco, os imóveis permaneciam vazios, sem obras ou investimentos concretos.”

— Banco Central

Ronaldinho e sócios negam saber de tudo

A defesa de Ronaldinho Gaúcho e dos sócios envolvidos no empreendimento imobiliário original garante que eles não tinham ideia da emissão dos CRIs ou do destino do dinheiro no mercado financeiro. Segundo os advogados do ex-jogador, as negociações para o desenvolvimento dos terrenos começaram em 2021 com as empresas União do Lago e Melk. No entanto, o negócio não foi para frente.

Problemas como a falta de licenças ambientais e pendências no IPTU fizeram com que o empreendimento imobiliário fosse cancelado e nunca saísse do papel. O advogado de Darci Garcia da Rocha, um dos sócios no projeto inicial, também confirmou o desconhecimento sobre a venda dos títulos. Ele afirmou que as parcerias imobiliárias não avançaram por desacordos comerciais e que nenhum valor significativo foi investido nos terrenos, que continuam sem nenhuma obra.

As investigações do Banco Central apontam que esse modelo de negócio foi repetido com diversas empresas. A dinâmica era sempre a mesma: captar recursos com CRIs ou outros instrumentos financeiros e, em seguida, realocá-los em fundos conectados ao Banco Master e à Reag, criando um ciclo fechado de dinheiro.