Curiosidades e Tecnologia

Tempo de tela dos filhos: pesquisa revela dilema de pais na Bahia

Quase metade dos pais baianos considera ideal limitar o uso de dispositivos a 2 horas, mas a maioria das crianças ultrapassa esse tempo diariamente
Por Redação
Tempo de tela dos filhos: pesquisa revela dilema de pais na Bahia
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Uma pesquisa exclusiva da AtlasIntel para o jornal A TARDE revelou que 45,2% dos pais e mães consideram saudável limitar o tempo de tela dos filhos a apenas uma ou duas horas por dia. No entanto, a realidade mostra que 34,8% das crianças passam entre duas e quatro horas conectadas, e 15,3% excedem quatro horas diárias.

Os dados indicam um contraste entre a intenção de proteção e a prática cotidiana, especialmente em meio à rotina corrida das famílias baianas. O levantamento serve como um alerta para os desafios de equilibrar o afeto, a disciplina e o uso de dispositivos eletrônicos.

Segundo a advogada Cintia Costa, mãe de Caroline Marie, 10 anos, a constância nos limites é um dos principais desafios, pois a tecnologia atrai muito a atenção das crianças. Ela destaca que o celular também é uma ferramenta de apoio aos estudos, além do lazer.

Desafios e estratégias para o tempo de tela

A pesquisa da AtlasIntel aponta que 37,7% dos pais afirmam não ter dificuldade em impor limites, enquanto 31,3% reconhecem uma dificuldade superável. Por outro lado, 10,9% relatam resistência dos filhos e 20,1% classificam a tarefa como difícil ou muito difícil.

Cintia Costa, em entrevista, explicou que estabelece acordos claros com a filha. Nos finais de semana, o uso do celular é condicionado à leitura: uma hora de leitura equivale a uma hora de tela. Em semanas de prova, o aparelho não é permitido. Durante a semana, o uso é limitado a pesquisas escolares.

A advogada ressalta a importância de impor limites com clareza e constância, sem abrir mão do diálogo. Ela também aplica consequências, como a restrição do celular nos finais de semana caso o desempenho escolar não seja satisfatório.

Emile Almeida, mãe de Sophia, 5 anos, e Benny, 3 anos, tenta manter o tempo de tela em 30 minutos, priorizando conteúdos educativos. Ela observa que o excesso de tempo gera agitação nas crianças e que a negociação constante é essencial, escolhendo desenhos de baixo impacto visual.

A pediatra e docente do Instituto de Educação Médica (Idomed), Eucilene Kassya Barros, alerta que o uso prolongado de dispositivos pode afetar o desenvolvimento neurológico e cognitivo, especialmente na primeira infância. Ela enfatiza que a comunicação é fundamental para evitar o excesso digital.

O levantamento da AtlasIntel mostra que 66,8% dos pais conversam sempre sobre o uso do celular, e 18,3% o fazem com frequência. No entanto, 9,9% abordam o tema apenas às vezes, e 5,0% raramente ou nunca tocam no assunto, o que acende um alerta para a necessidade de fortalecer o diálogo.

Impacto na Bahia e a importância do diálogo

Os dados da pesquisa, realizada na Bahia, refletem uma realidade nacional onde o tempo de tela dos filhos se tornou uma preocupação crescente para as famílias. A falta de interação real, causada pelo uso excessivo de telas, pode impactar o desenvolvimento da linguagem, atenção e regulação emocional das crianças, segundo a pediatra Eucilene Kassya Barros.

No consultório, a médica relata o aumento de casos de atrasos na fala e dificuldades de concentração. A recomendação é que os pais criem combinados que se encaixem na rotina familiar e ensinem desde cedo a responsabilidade no acesso à tecnologia, que é uma realidade presente e não passageira.