Suzane von Richthofen, condenada pela morte dos pais em 2002, expôs detalhes do crime em um documentário inédito. Ela revisitou o caso e assumiu a culpa pela morte de Manfred e Marísia von Richthofen, ocorrida há pouco mais de duas décadas.
Atualmente em regime aberto, Suzane reconstrói, sob sua própria versão, a história que se tornou um dos casos mais emblemáticos do país. O longa-metragem foi disponibilizado em pré-estreia restrita pela Netflix, sem data oficial de lançamento.
Segundo Suzane, a infância na casa da família foi marcada por um ambiente sem afeto, com cobrança e silêncio emocional. Ela afirmou que vivia estudando e tirava notas altas, mas não havia demonstração de amor entre os membros da família.
Conflitos familiares e o relacionamento com Daniel Cravinhos
A criminosa relatou que a rotina familiar era atravessada por conflitos constantes. Ela descreveu ter presenciado uma cena de violência, onde seu pai, Manfred, enforcou sua mãe, Marísia, contra a parede. Suzane também mencionou a ausência completa de diálogo sobre temas íntimos.
Nesse cenário, Suzane afirmou ter criado um mundo próprio com seu irmão, Andreas von Richthofen, que tinha 14 anos na época do crime. Ela sugeriu que o ambiente familiar degradante abriu caminho para o relacionamento com Daniel Cravinhos, que também foi condenado pelo duplo homicídio.
Conforme Suzane, o namoro com Daniel aprofundou a ruptura familiar, pois ele passou a ocupar todos os espaços de sua vida. A mãe dela, Marísia, criticava o relacionamento de forma direta, dizendo que Daniel a puxaria para o fundo do poço.
A partir desse momento, Suzane começou a levar uma vida dupla, mentindo para os pais sobre onde ia. Ela relatou que as mentiras se acumularam até serem descobertas, culminando em episódios de agressão física dentro de casa.
O assassinato e a participação de Suzane
Suzane von Richthofen contou que a ideia do crime foi construída aos poucos, com ela e Daniel Cravinhos expressando o desejo de que os pais não existissem. Em 31 de outubro de 2002, Manfred e Marísia foram assassinados a pauladas, em um crime planejado pela filha e executado pelos irmãos Daniel e Cristian Cravinhos.
Ela afirmou ter aceitado a ideia e levado os executores para dentro de sua casa, mas se defendeu dizendo que não construiu a arma do crime. Suzane sustentou que não participou diretamente da execução, permanecendo no andar de baixo com as mãos nos ouvidos para não escutar o que acontecia no andar superior.
Apesar de não ter participado diretamente da execução, Suzane admitiu ter consciência do que estava acontecendo. Ela reforçou que, quando tudo terminou, o impacto foi imediato e não havia mais como voltar atrás.

