Polícia

STF revela vídeos com versões conflitantes em caso do Banco Master

STF libera vídeos de acareação onde Daniel Vorcaro (Banco Master) e Paulo Henrique Costa (ex-BRB) divergem sobre a origem de carteiras de crédito, pivô de uma investigação federal.
Por Redação
STF revela vídeos com versões conflitantes em caso do Banco Master

Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa em acareação conduzida pela PF -

Compartilhe:

A mais alta corte do país, o Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou nesta quinta-feira (29) vídeos cruciais que mostram uma verdadeira queda de braço de versões. De um lado, o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Do outro, Paulo Henrique Costa, que já foi presidente do Banco Regional de Brasília (BRB). Os dois ficaram frente a frente em uma acareação conduzida pela Polícia Federal (PF) no fim do ano passado, e o centro da discussão são as carteiras de crédito que o Banco Master vendeu ao BRB a partir de janeiro de 2025.

A divergência é clara e foi exposta durante a sessão. Enquanto Vorcaro defende que o BRB sabia que os créditos vinham de uma empresa terceira, a Tirreno, Costa afirma com convicção que entendia que os valores tinham origem no próprio Banco Master. Os vídeos da audiência, que aconteceram em dezembro, foram liberados para o público pelo ministro relator Dias Toffoli.

Entenda a confusão das versões

Quando questionado pela delegada da Polícia Federal que cuida do inquérito, Daniel Vorcaro negou ter dito que as carteiras de crédito vendidas ao BRB eram da Tirreno ou do próprio Banco Master. Para ele, o que foi comunicado ao BRB na época era apenas uma mudança na forma de fazer negócios. Ou seja, o Banco Master passaria a comercializar carteiras de crédito que vinham de outras empresas.

“Na verdade, a gente anunciou que faria vendas de originadores terceiros naquela ocasião. A Tirreno, nem eu mesmo sabia na época se existia o nome Tirreno. Acho que conversamos algumas vezes sobre iniciar um novo formato de comercialização, que seria com terceiros”, explicou Vorcaro no depoimento.

Já Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, tem uma história bem diferente para contar. Ele afirmou que a informação recebida pelo BRB era de que as carteiras de crédito tinham sido criadas pelo próprio Banco Master. Depois, elas teriam sido vendidas para outras empresas e, em seguida, recompradas pelo Master, que então as revendia ao BRB.

“O entendimento que eu coloquei é que eram carteiras originadas pelo Master, negociadas com terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, disse Costa, mostrando uma versão bem diferente da apresentada por Vorcaro.

Na sequência, o dono do Banco Master fez questão de contestar a versão de Costa. Vorcaro disse que não houve nenhuma recompra de carteiras de crédito pelo Banco Master. Ele insistiu que os créditos vinham de empresas que já trabalhavam no mesmo setor, mas que não foram criados (originados) pelo Master.

As investigações sobre o Banco Master

As investigações que envolvem o Banco Master começaram em 2024. Tudo começou depois de um pedido do Ministério Público Federal (MPF) para apurar a emissão de carteiras de crédito que, segundo a acusação, não eram sólidas. A apuração inicial indicou que esses títulos foram vendidos para outro banco e, depois de uma fiscalização do Banco Central (BC), foram substituídos por outros ativos que não tinham uma avaliação técnica adequada.

A situação para o Banco Master se agravou bastante em 18 de novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição e também de sua corretora de câmbio. Essa decisão impediu a venda do banco, que tinha sido anunciada no dia anterior. A investigação aponta que o Banco Master não tinha dinheiro suficiente para pagar os títulos que seriam vencidos em 2025. Com isso, o banco teria comprado créditos da empresa Tirreno sem pagar por eles e, em seguida, os revendeu ao BRB, que desembolsou cerca de 12 bilhões de reais nessa operação.