A situação de abandono familiar na velhice é um tema delicado que afeta muitos idosos na Bahia. Uma senhora de origem sírio-libanesa, que reside em uma casa de repouso no litoral norte do estado, relatou ter sido levada para o local pela própria filha, mesmo possuindo casa própria e autonomia para suas atividades diárias. A história foi compartilhada por uma jornalista que visitou a instituição.
A idosa, que preferiu não ser identificada, contou que seus pais vieram jovens para o Brasil. A mãe morreu durante o parto, e o pai criou 11 filhos sozinho. Ela se casou, teve dois filhos e sempre cuidou da própria casa, alugando quartos e mantendo um quintal com plantas e um cachorro, seu "melhor amigo".
"Minha saúde é boa, não tenho nada não. Foi minha filha quem me trouxe pra cá. Ela não queria cuidar de mim", afirmou a senhora, com tristeza e resignação. O filho mais velho mora fora, e a filha, que reside perto, não se mostrou disponível para cuidar da mãe, segundo o relato.
O desafio da velhice esquecida na Bahia
A situação da idosa reflete um problema social crescente no Brasil e na Bahia: a velhice esquecida. Muitos idosos, mesmo com boa saúde e condições de moradia, acabam em instituições de longa permanência por falta de apoio familiar. A Lei nº 10.741/2003, o Estatuto da Pessoa Idosa, garante o direito à família e à convivência comunitária, coibindo qualquer forma de negligência, discriminação, crueldade ou opressão.
A senhora expressou saudade do seu cachorro, que é cuidado por um rapaz que vai à sua antiga casa para alimentá-lo. Ela mantém a esperança de retornar ao seu lar, convidando a jornalista a visitá-la na "primeira rua depois da praça", como se estivesse de malas prontas para voltar no dia seguinte.
Outras idosas na mesma casa de repouso também compartilharam suas realidades. Uma delas relatou fortes dores no joelho devido à artrose, enquanto outra, completamente curvada, utilizava um andador para se locomover, demonstrando a busca por autonomia mesmo em meio às dificuldades físicas.

