A celebração da Semana Santa, período central para o catolicismo, mantém suas tradições milenares, mas se adapta aos novos tempos, incorporando práticas como o "jejum de celular" entre os fiéis na Bahia e em todo o Brasil. A data, que marca a paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, mobiliza diferentes gerações em busca de renovação espiritual.
Segundo o padre Lucas Almeida, coordenador arquidiocesano de Liturgia, a Semana Santa é um convite para "experimentar hoje as graças, os frutos e os bens espirituais daquilo que Jesus experimentou enquanto passou neste mundo e recordar a redenção". A preparação para este período começa 40 dias antes, na Quaresma, com foco em oração, penitências e caridade.
A madre abadessa Vera Lúcia Parreiras, 81 anos, destaca que o jejum vai além da alimentação. "Há o jejum das palavras ofensivas, do celular, de todos esses vícios de hoje", afirma. Ela ressalta a solidariedade com aqueles que sofrem privações, conectando a prática à realidade social.
Tradições e costumes populares na Semana Santa
Adelson Couto, 71 anos, membro da comunidade católica Shalom, adere ao jejum digital e reforça a importância do jejum da língua, do olhar e do pensar, especialmente para evitar julgamentos. Essas práticas, conforme padre Lucas, visam a transformação pessoal do fiel, que se renova por meio da penitência, oração e caridade.
A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém. O Tríduo Pascal, que se inicia na Quinta-feira Santa com a Última Ceia, a instituição da Eucaristia e o lava-pés, culmina na Sexta-feira da Paixão, dia de recolhimento em memória da crucificação. O Sábado de Aleluia é de silêncio, antecedendo a Vigília Pascal e o Domingo de Páscoa, que anuncia a ressurreição.
Padre Jailson Jesus Santos explica que costumes populares, como o banquete farto na Sexta-feira Santa, têm raízes históricas. A tradição de consumir peixe e dendê, por exemplo, remonta ao período colonial, quando escravizados, impedidos de comer carne, preparavam esses alimentos. A Igreja Católica, no entanto, orienta que a confraternização familiar seja no Domingo de Páscoa, e não na Sexta-feira da Paixão.
Manifestações como procissões, a Via Sacra e encenações da Paixão de Cristo, como a realizada no Colégio Salesiano Dom Bosco em Salvador, reforçam a vivência da fé e aproximam diferentes públicos. Eliana Pitangueira, 69 anos, frequentadora da Capela de Nossa Senhora da Escada, participa das rezas da Via Sacra e reflete sobre o sofrimento de Jesus em cada estação.
A mensagem da Páscoa, segundo padre Lucas, é de "alegria e esperança em um mundo que tem visto a guerra em muitos lugares". A capacidade da Igreja de se adaptar culturalmente, utilizando a arte e o teatro para evangelizar, garante a permanência e a renovação dessas tradições ao longo dos tempo.

