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Santo Antônio Além do Carmo se firma como refúgio familiar no carnaval

O Carnaval no Santo Antônio Além do Carmo, em Salvador, encerrou reafirmando seu sucesso como refúgio familiar, com folia tranquila, segurança e blocos tradicionais.
Por Redação
Santo Antônio Além do Carmo se firma como refúgio familiar no carnaval

Último dia de Carnaval Santo Antônio Além do Carmo -

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O bairro de Santo Antônio Além do Carmo, no Centro Histórico de Salvador, na Bahia, encerrou sua programação de carnaval nesta sexta-feira, dia 13 de fevereiro, reafirmando-se como um verdadeiro oásis para quem busca uma folia mais tranquila e familiar. Longe das grandes estruturas, cordas e abadás dos circuitos tradicionais da capital baiana, o local brilhou por sua atmosfera de proximidade entre moradores, músicos e famílias.

Com atividades que começaram no dia 5 de fevereiro, o Carnaval do Santo Antônio reuniu quinze blocos tradicionais, consolidando-o como uma alternativa de paz e alegria. A essência aqui é resgatar os carnavais de antigamente, aqueles em que a diversão vinha da espontaneidade e do convívio.

Carnaval de paz e segurança: um compromisso com a tradição

Um dos grandes diferenciais do Carnaval no Santo Antônio Além do Carmo é a organização impecável e o respeito à vizinhança. Isso é resultado de um acordo bem-sucedido entre a Associação de Blocos do Santo Antônio (Absanto), o Ministério Público e a Prefeitura de Salvador. Por lá, não aparecem blocos novos de repente, nem grupos que não fazem parte do bairro. Cada desfile tem seu lugar, caminho e horário definidos com antecedência, garantindo segurança e tranquilidade para todos.

Luciano Almeida, organizador do Bloco Rivo-Trio, que desfilou na última sexta-feira, explicou ao Portal A TARDE a filosofia por trás da festa:

“A proposta é fazer a diferença, trabalhar com a galera de outro sistema, sair do circuito comum para fazer uma coisa que não é alternativa, só resgatando os carnavais antigos que já existiam aqui em Santo Antônio.”

Luciano destaca a simplicidade do evento: “Aqui eu posso ir a pé, sem precisar de um carro grande, com tranquilidade, trabalhando só com as pessoas mesmo e sem a necessidade de ter um veículo automotor, muito mais tranquilo”. Ele também conta que o bloco, que começou com amigos, cresceu e hoje abraça muitas pessoas novas que se identificam com a ideia de um carnaval mais humano. Para ele, a palavra-chave é “paz, muita paz, aqui não tem nada de violência, zero, isso é ótimo”.

Acolhimento para todas as famílias

A segurança e o ambiente acolhedor são os grandes atrativos para quem busca um carnaval diferente. Simone Reis Barbosa, que foi com a família, incluindo o marido e o filho, expressou sua satisfação:

“A idade já chegou. A gente já viveu uma época de carnaval de rua, de trio e agora já não temos mais aquele mesmo pique. [...] Também tem a questão da família, tem a questão da segurança, aqui parece ter mais segurança, é bem mais tranquilo. Lá no trio a gente sabe que não dá para brincar com as crianças.”

Mesmo sendo a primeira vez dela no bairro, Simone já decidiu que vai voltar. Ela resumiu o que a atraiu: “A gente chega numa fase da vida realmente que a gente quer um pouquinho de mais tranquilidade, mas também não precisa ser tanto, né? Então por isso que a gente continua vindo, mas já com uma vibe diferente, uma coisa mais família, uma coisa mais tranquila, onde tem um banquinho pra sentar”.

O Carnaval do Santo Antônio também se destaca pela inclusão. Tatiane Souza, que curtiu a festa com seu filho Nairobi, que é autista, encontrou um lugar de respeito e acolhimento:

“É um carnaval muito tranquilo. Eu consigo vir com meu filho, que inclusive é autista, de uma forma segura, é muito acolhedora. As pessoas veem a identificação dele, acolhem e brincam com meu filho. A gente consegue vir eu, mãe e filho, pacificamente, curtir, se divertir e em paz e tranquilidade.”

Tatiane, que já frequentava o bairro em outros anos, percebeu uma melhora ainda maior nesta edição, sentindo um ambiente “bem mais tranquilo e mais acolhedor”. Ela se emocionou ao falar da conexão cultural que encontrou ali: “A gente vê os afoxés, vemos toda essa cultura e a gente se sente de uma forma muito ancestralizada. A gente se sente mais acolhido nesse universo do movimento negro”.

Os últimos blocos a desfilar na sexta-feira foram o Bloco Rivo-Trio, que saiu às 19h do Largo do Quitandinha e terminou às 23h no Largo de Santo Antônio Além do Carmo, passando por ruas históricas do bairro; e o Bloco Rodante, que também começou às 19h na Praça dos 15 Mistérios, fazendo seu percurso nas ruas do entorno.

Para Tatiane, o saldo do Carnaval deste ano foi totalmente positivo. “Todos os lugares que eu já fui com meu filho no Carnaval desse ano, eu fico encantada, porque está muito lindo, está muito gostoso e eu sinto que as pessoas estão mais animadas neste ano”, finalizou.