Em meio à efervescência do Carnaval de Salvador, na Bahia, um movimento charmoso e acolhedor ganha cada vez mais força no Circuito Osmar, no bairro do Campo Grande: os chamados “camarotes em casa”. Moradores e visitantes transformam as sacadas de seus apartamentos em verdadeiros mirantes privilegiados, unindo conforto, segurança e a alegria da festa.
Este circuito, conhecido por seu ar familiar e acolhedor, vê os grandes trios elétricos desfilarem por ruas residenciais. É nesse cenário que famílias, grupos de amigos e até empreendedores aproveitam a folia de uma maneira única, sem abrir mão do conforto do lar. A tradição de curtir a festa de cima ultrapassa gerações, mostrando que a criatividade baiana não tem limites.
Segurança e conforto atraem foliões para a casa
Para o professor de educação física Pedro Ribeiro, de 62 anos, que se mudou para o circuito em 2021, o Carnaval em casa é a melhor opção. Morador antigo do Centro de Salvador, ele encontrou na nova residência a fórmula perfeita para aproveitar a festa.
"Em primeiro lugar, a segurança, né? E a satisfação dos filhos da gente. Eles gostam de brincar, brincam de uma forma segura e dá para ver tudo. O bom é que é de graça, melhor ainda", contou Pedro, que desfruta da festa ao lado da esposa e dos filhos.
Outra entusiasta dessa modalidade é a professora Michele Lourenço. Moradora de Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ela viaja há 14 anos para curtir o Carnaval na casa de parentes e amigos no Campo Grande. Para ela, a segurança é primordial, especialmente quando se trata do filho.
"A melhor forma de curtir é aqui no prédio, porque com filhos, crianças, eu acho mais seguro. Já fui com ele para a rua, mas daí a gente volta para cá para o prédio, junta as mesas, compra uns amendoins, umas bebidas e fica todo mundo tranquilo", explicou Michele, que se diverte na área de convivência do condomínio quando os trios passam.
A psicóloga Gabriela Souza, de 25 anos, que vive há dois anos nas proximidades do Circuito Osmar, também celebra a comodidade. Para ela, unir o útil ao agradável significa ter a folia na porta de casa, com total liberdade.
"É muito bom, conforto total. Só descer e já tá na rua, dá para aproveitar, dá para ficar tranquila, vai em casa, pega uma bebida, desce e aproveita. Também gosto muito da Barra, mas claro que só o deslocamento até lá já é um cansaço muito grande", disse Gabriela, que pretende continuar na região por essa facilidade.
O "Camarote da Lulu": uma festa familiar com vista privilegiada
Entre os diversos "camarotes em casa", um se destaca pela história e organização: o "Camarote da Lulu". Criado pelo advogado Danilo Tavares, de 38 anos, e pela enfermeira Andiara Barros, de 40, o espaço foi rebatizado em homenagem à filha do casal, Lulu, de 3 anos.
Antes conhecido como "Camarote do Danilo" por 15 anos, o local funciona como um verdadeiro "Camarote VIP" para amigos e familiares, sem custo para os convidados. Danilo e Andiara se organizam com meses de antecedência para garantir a estrutura, arcando com todos os custos para que a festa aconteça.
Andiara conta sobre o empenho para que a pequena Lulu tenha momentos inesquecíveis:
"Aqui a gente se organiza antecipadamente, mais de um mês aí, de frente para organização programando o banner, tirando foto com todos os artistas. Você viu lá, ela [Lulu] tem foto com Bel, tem foto com Durval. Ela subiu no trio de Ivete ano passado e tirou foto em cima do trio", revelou a enfermeira, emocionada.
Para o casal, o maior propósito do "Camarote da Lulu" vai além da festa particular: é um esforço para valorizar o Circuito do Campo Grande, um movimento que tem o apoio das autoridades carnavalescas da capital baiana.
"O Governo do Estado e a Prefeitura sempre tentam valorizar, eles vêm tentando revitalizar o Campo Grande e estão conseguindo. Eu venho acompanhando há muito tempo, teve a queda no Campo Grande e agora está começando a respirar de novo o circuito, isso é uma felicidade", concluiu Danilo, celebrando a revitalização da área.

