Pessoas negras na Bahia recebem, em média, R$ 3 mil a menos que trabalhadores brancos. O dado foi revelado pelo Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026, produzido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).
Enquanto a remuneração média de trabalhadores brancos alcança R$ 9.109,45, o salário médio de pessoas negras é de R$ 5.934,43. A diferença salarial persiste mesmo em funções idênticas e em todos os níveis de instrução.
Segundo o MTE, a população negra é majoritária na Bahia, representando 84,2% dos vínculos empregatícios. No entanto, este grupo está sub-representado em cargos de liderança, carreiras técnicas bem remuneradas e empregos formais com proteção social plena.
Desigualdade em cargos e instrução
A desigualdade no salário de pessoas negras é observada em diversas esferas do mercado de trabalho. De acordo com o levantamento Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE, trabalhadores negros no Brasil ganham menos em todos os grupos ocupacionais.
Em cargos de gerência ou diretoria, a diferença salarial chega a R$ 3.385. Além disso, a disparidade se acentua entre pessoas com ensino superior completo, onde brancos recebem cerca de 45% a mais que negros.
Para mulheres negras, a situação é ainda mais crítica. Em comparação com o salário médio de homens não negros, o grupo mais bem remunerado, os ganhos das baianas negras são R$ 2.473,89 menores. A remuneração média dessas mulheres é de R$ 2.645,93, mesmo elas representando 34,4% do total de vínculos empregatícios no estado.
Legislação e punições
A legislação brasileira prevê punições para práticas discriminatórias no ambiente de trabalho, incluindo aquelas motivadas por questões raciais. O Estatuto da Igualdade Racial (2010), as leis 9.029/1995 e 14.532/2023, e a Constituição Federal proíbem disparidades salariais.
O Ministério do Trabalho e Emprego e outros órgãos fiscalizam o cumprimento dessas normas para combater a desigualdade no salário de pessoas negras e promover a equidade no mercado de trabalho baiano.

