O rodoviário André Eduardo, apontado inicialmente por populares como suspeito no caso da morte da adolescente Thamires Pereira, afirmou que vive com medo após a repercussão do caso e disse não ter condições de voltar ao trabalho no momento. A declaração foi dada em entrevista à TV Record Bahia, nesta segunda-feira (23).
André Eduardo relatou estar abalado emocionalmente e temer pela própria segurança. Ele também confirmou a preocupação de perder o emprego. "Eu temo. Eu estou abalado, não tenho condições de voltar ao trabalho no momento. Quando eu saio na rua, eu saio com medo", afirmou.
O rodoviário descreveu momentos de tensão, como uma perseguição por um grupo de pessoas e o receio de sair de casa após sua imagem ser divulgada. "O próprio policial falou que foram quatro caras lá na minha porta armados para me pegar. Imagina sair na rua e ver mais de 50 pessoas querendo me pegar", disse.
Investigação da Polícia Civil
Apesar da repercussão e das suspeitas iniciais, a Polícia Civil afirma que o rodoviário não faz parte da linha de investigação do caso Thamires. Segundo o delegado Moisés Damasceno, não há elementos que indiquem envolvimento de André Eduardo na morte da adolescente.
"O rodoviário não cabe nessa linha de raciocínio. A gente acredita que ela só passou na casa dele e não entrou, seguindo direto. As câmeras foram verificadas por um período bem longo, e ela não voltou para a casa dele", explicou o delegado. Damasceno sugeriu que a associação do nome de André ao caso pode ter ocorrido de forma equivocada.
O caso Thamires Pereira
O desaparecimento da adolescente Thamires dos Santos Pereira terminou de forma trágica, com indícios de um crime marcado por julgamento e execução. A Polícia Civil investiga a possibilidade de que a jovem tenha sido vítima de um "tribunal do crime", prática associada a grupos ligados ao tráfico de drogas na Bahia.
As investigações apontam que Thamires teria sido morta por pessoas ligadas a um homem preso em 20 de fevereiro por violência doméstica. Ele acreditava que a adolescente teria acionado a Polícia Militar para denunciá-lo, o que teria motivado o crime. Um dos suspeitos presos por envolvimento no caso é primo desse homem, reforçando a linha de vingança como motivação.

