A possível redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais pode gerar um impacto de até R$ 11,88 bilhões no setor de transporte brasileiro. A estimativa é da Confederação Nacional do Transporte (CNT), divulgada nesta terça-feira (11).
A mudança, prevista para 2026, exige adaptações operacionais significativas, especialmente em um segmento que já opera próximo do limite atual de carga horária. O custo da hora trabalhada deve subir cerca de 10%, mesmo sem aumento proporcional nos salários, resultando em um crescimento de 8,6% nas despesas com pessoal.
Segundo a CNT, o transporte é um setor intensivo em mão de obra, o que torna o impacto mais significativo do que em outras áreas da economia. Para manter o nível atual de operação, será necessário contratar aproximadamente 240 mil novos trabalhadores.
Desafios para o setor de transporte
A escassez de profissionais já é uma realidade no país. Cerca de 65% das empresas relatam dificuldade para contratar, e a falta de motoristas qualificados é um dos principais gargalos. Este cenário pode pressionar ainda mais as empresas a reajustar as passagens de transporte público.
As pequenas empresas, que representam grande parte do setor, devem sentir ainda mais os efeitos da mudança. Negócios com até nove funcionários já destinam quase metade de sua receita bruta ao pagamento de salários. Com o aumento de custos, há riscos de reajuste de tarifas para consumidores, redução das operações e crescimento da informalidade.
Outro ponto crítico é a produtividade. Em comparação com economias desenvolvidas, o Brasil ainda apresenta níveis mais baixos de eficiência no trabalho. Esse cenário dificulta a adaptação à nova jornada sem prejuízos à competitividade e à operação das empresas de transporte.

