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Professores foram perseguidos pela ditadura militar no Brasil

Filme indicado ao Oscar 2026, 'O Agente Secreto', reflete a realidade de educadores e intelectuais caçados pelo regime entre 1964 e 1985
Por Redação
Professores foram perseguidos pela ditadura militar no Brasil
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Professores e intelectuais brasileiros foram alvo de perseguição e repressão durante a ditadura militar, que durou de 1964 a 1985. A realidade é retratada no filme 'O Agente Secreto', dirigido por Kleber Mendonça Filho, que concorre ao Oscar 2026.

O longa-metragem, ambientado em 1977, acompanha Armando, interpretado por Wagner Moura, um professor universitário que adota uma identidade falsa para fugir de perseguições políticas. Ele se muda de São Paulo para Recife, mas o passado de vigilância e repressão o segue.

Segundo o historiador Carlos Zacarias, em entrevista ao Cineinsite A TARDE, a ditadura brasileira buscou controlar as universidades por considerá-las espaços estratégicos de inteligência e mobilização política. O ambiente universitário era visto como um risco ao regime.

Universidades como alvo da repressão

Nas décadas de 1950 e 1960, as universidades brasileiras se tornaram centros de debate político, mobilização social e produção cultural. Este cenário, com a ascensão da juventude e alianças com movimentos sociais, foi interpretado pelo regime como uma ameaça.

A repressão não se limitou a militantes, atingindo também professores e pesquisadores envolvidos na produção de conhecimento. O controle se intensificou após o Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, resultando em processos administrativos, cassações e expulsões.

Conforme Zacarias, investigações podiam levar a depor, barrar matrículas, expulsar alunos ou aposentar compulsoriamente docentes. Em muitos casos, os interrogatórios envolviam tortura, como ocorreu com diversos professores perseguidos pela ditadura militar.

Uma das ferramentas de repressão dentro das universidades era a Assessoria Especial de Segurança e Informação (AESI). Este órgão operava infiltrando agentes disfarçados que coletavam informações sobre estudantes e professores.

A violência esteve presente em todas as universidades do Brasil, um setor historicamente identificado como opositor ao regime. A necessidade de liberdade de expressão e a concentração de intelectuais tornaram o ambiente acadêmico um foco constante de vigilância.