Um verdadeiro furacão se formou após a partida entre Juazeirense e Bahia, pela 7ª rodada do Campeonato Baiano, no último domingo (8). O centro da tempestade? O presidente da Juazeirense, Roberto Carlos Almeida Leal, que também é deputado estadual. Ele ameaçou prender o árbitro do jogo, Eziquiel Sousa Costa, alegando ser uma “autoridade”. A confusão toda girou em torno de um pênalti desmarcado que, para a diretoria do Cancão de Fogo, prejudicou o time.
A cena, digna de um roteiro de cinema, aconteceu logo depois do apito final. O árbitro fez questão de registrar tudo na súmula da partida, um documento oficial divulgado pela Federação Baiana de Futebol (FBF). Segundo o relato de Eziquiel, dirigentes e torcedores invadiram o campo e foram para cima da equipe de arbitragem, protestando de forma bem agressiva.
“Após o término da partida, dirigentes e alguns torcedores da equipe da Juazeirense invadiram o campo de jogo e se dirigiram em direção a equipe de arbitragem passando a protestar de forma agressiva. Entre os presentes, foi identificado o presidente do clube, SR° Roberto Carlos Almeida Leal, que se dirigiu à arbitragem de forma hostil, com dedo em riste, proferindo as seguintes palavras. ‘Vocês roubaram meu time, você não tem consciência seu ladrão safado, vocês não vão dormir à noite. Eu poderia mandar prender você porque eu sou autoridade’”, descreveu o árbitro na súmula.
A situação ficou tão tensa que Roberto Carlos precisou ser contido pela polícia e por outras pessoas que estavam ali. Mas ele não foi o único a reclamar. Sérgio Fernandes dos Santos, diretor da Juazeirense, também soltou a voz e não poupou críticas à arbitragem. “Vocês roubaram a gente, safados. A gente trabalha a semana toda e você vem aqui fazer isso, não precisa roubar para o Bahia, eles já estão classificados”, teria dito o diretor, conforme o mesmo documento.
O lance que incendiou a partida
O jogo, que aconteceu no Estádio Adauto Moraes, em Juazeiro, na Bahia, terminou em 1 a 1, com dois gols de pênalti. Mas o bafafá mesmo foi por causa de um terceiro pênalti, marcado para a Juazeirense já nos acréscimos do segundo tempo, e depois desmarcado.
O árbitro tinha assinalado a penalidade máxima após um suposto toque de mão do zagueiro Gabriel Xavier, do Bahia, depois de um chute de Romarinho. No entanto, o replay mostrou que a bola, na verdade, bateu no rosto do zagueiro tricolor. Depois de muita gritaria e vários minutos de paralisação, a marcação foi anulada, para a revolta do time da casa.
Do lado do Bahia, o técnico Rogério Ceni também ironizou a situação, lembrando que o Campeonato Baiano não usa o VAR (árbitro de vídeo) nesta fase inicial. “Depois que colocaram o VAR no Baiano ficou assim né?! O mais impressionante é a convicção que o árbitro marca o pênalti. E aí você vai lá brigar pela verdade e leva cartão. Deve ter vindo uma voz do além para dizer que bateu no rosto do jogador”, comentou Ceni.
Situação dos times no Baianão
Este jogo, cheio de emoção e polêmica, era válido pela penúltima rodada do Campeonato Baiano. O Bahia, invicto, já garantiu sua vaga na semifinal como líder absoluto, com 19 pontos. Já a Juazeirense, com 9 pontos, ocupa a quinta posição, um ponto atrás do G4 (grupo dos quatro primeiros que avançam para as semifinais).
A última rodada, marcada para o dia 22 de janeiro, promete fortes emoções, com todos os jogos acontecendo ao mesmo tempo. Nela, serão definidos os quatro semifinalistas e os dois times rebaixados. Enquanto o Bahia visita o Atlético de Alagoinhas, a Juazeirense vai até o campo do Porto para tentar sua classificação.

