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Polícia vê associação criminosa em exploração de camarotes de clube paulista

Relatório da Polícia Civil aponta esquema profissionalizado com dirigentes e ex-dirigentes, incluindo Marcio Carlomagno, em venda ilegal de espaços no Morumbis
Por Redação
Polícia vê associação criminosa em exploração de camarotes de clube paulista
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Um relatório do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC) identificou uma "associação criminosa profissionalizada" na exploração ilegal de camarotes no estádio Morumbis, em São Paulo. O documento, divulgado nesta terça-feira (11), inclui o nome de Marcio Carlomagno, ex-superintendente geral do São Paulo Futebol Clube, como integrante do esquema.

A investigação apura a comercialização clandestina de camarotes e envolve dirigentes e pessoas ligadas ao clube. Além de Carlomagno, o relatório cita Rita de Cássia Adriana Prado, Mara Casares e Douglas Schwartzmann como participantes da suposta sociedade.

Segundo a Polícia Civil, a inclusão de Carlomagno marca uma mudança relevante nas investigações. Ele havia sido citado anteriormente por Douglas Schwartzmann como responsável por ceder o espaço, mas agora é considerado parte ativa da suposta associação criminosa futebol.

Detalhes da Investigação e Provas

As conclusões do relatório têm como base principal um caderno apreendido em janeiro deste ano, durante uma operação da Polícia Civil no endereço de Adriana Prado. O material foi analisado como peça central do inquérito.

O documento policial destaca que o caderno é o elo que une Marcio Carlomagno, a influência de Mara Casares e Douglas Schwartzmann e a operação de Adriana Prado em uma engrenagem sistêmica de saque ao patrimônio do clube. O esquema teria funcionado por quase dois anos, entre março de 2023 e fevereiro de 2025.

A análise aponta Adriana Prado como peça-chave na engrenagem, responsável pela logística e finanças, atuando na revenda de ingressos e divisão de lucros. Em suas anotações, os demais envolvidos são tratados como "sócios", com divisão igualitária dos ganhos, de 25% para cada um.

Para a Polícia, esses registros configuram prova material de que o lucro da exploração clandestina não era um bônus eventual. O relatório indica a existência de uma taxa de corrupção fixada e sistêmica, ratificando a estrutura de uma associação criminosa futebol profissionalizada.

Os investigadores também identificaram indícios de que Adriana tinha plena ciência da ilegalidade do esquema. Anotações como "corrupção é só da parte deles?" e "o que pode respingar em mim?" reforçam o conhecimento sobre práticas ilícitas, segundo o relatório.

Contexto e Próximos Passos

O caso ganhou repercussão em dezembro do ano passado, quando áudios de uma conversa entre Douglas Schwartzmann e Adriana Prado foram divulgados. Na gravação, Schwartzmann admitia ganhos financeiros no esquema e atribuía a Carlomagno a cessão do camarote.

Após a divulgação dos áudios, Mara Casares e Douglas Schwartzmann deixaram seus cargos no clube. Marcio Carlomagno foi demitido no início deste ano. A investigação teve início a partir de um pedido do Ministério Público, que solicitou a abertura de inquérito para apurar a exploração irregular dos camarotes.

A Polícia Civil informou que o caso é investigado sob sigilo pelo DPPC e que diligências estão em andamento para o esclarecimento dos fatos. As defesas dos citados contestam as conclusões do relatório policial.