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Piranhas mordem banhistas na Bahia: entenda por que ataques são raros

Ataques de piranhas em rio de Iaçu, Bahia, deixam banhistas feridos. Especialista explica que casos são incomuns e ligados a fatores como aglomeração e água turva.
Por Redação
Piranhas mordem banhistas na Bahia: entenda por que ataques são raros

Ataque que deixou feridos em Iaçu, no interior da Bahia -

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O susto foi grande para quem se refrescava nas águas do Rio Paraguaçu, em João Amaro, distrito de Iaçu, na Bahia. Banhistas foram mordidos por piranhas, em um episódio que rapidamente gerou alarme e fez com que a área fosse interditada. Mas será que a imagem de ataques violentos e fatais, tão presente nos filmes, corresponde à realidade?

Para desvendar esse mistério, conversamos com Francisco Kelmo, professor de Ecologia e Biodiversidade Marinha da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Ele esclarece que, embora o incidente seja preocupante, ataques de piranhas a pessoas são raros e geralmente acontecem por motivos bem específicos, longe do que o cinema nos faz acreditar.

Susto em Iaçu: O que aconteceu no Rio Paraguaçu

A região do Rio Paraguaçu, em Iaçu, é muito procurada, especialmente em épocas de férias, atraindo centenas de pessoas em busca de um bom banho. Foi exatamente nesse cenário que os incidentes ocorreram. Vários banhistas relataram mordidas, principalmente nos pés, que precisaram de atendimento médico. Felizmente, os ferimentos foram leves, mas o suficiente para causar apreensão e levar à interdição temporária da área.

Esse tipo de ocorrência, apesar de chamar a atenção e circular nas redes sociais, é considerado incomum pelo professor Kelmo. Ele reforça que a piranha é um peixe natural dos rios nordestinos, mas seu comportamento agressivo em relação a humanos não é a regra.

Por que piranhas atacam? Entenda o comportamento defensivo

Se ataques são raros, por que eles acontecem? O especialista explica que o comportamento das piranhas está ligado ao ambiente e, muitas vezes, é uma reação de defesa. Imagine o rio como a casa delas. Quando muitas pessoas entram na água ao mesmo tempo, fazendo barulho, se movimentando intensamente e em um local com a água turva, as piranhas podem se sentir ameaçadas.

"A piranha é um animal muito comum nos nossos rios, mas os ataques a humanos não são comuns. Acidentes com piranhas envolvendo humanos são raros. Eles acontecem quando existe uma grande aglomeração desses peixes ou quando há uma grande concentração de pessoas dentro da água."

O professor detalha que o padrão dos ferimentos nos pés, leves e em vários banhistas, sugere que não eram grandes grupos de piranhas nem peixes de grande porte. Isso corrobora a ideia de uma reação a um ambiente de estresse e não um ataque premeditado para caça.

Olfato de piranha: O perigo de pequenos ferimentos e brilhos

Além da agitação e da água turva, as piranhas têm um "superpoder": um olfato muito aguçado. Um pequeno corte na pele, uma feridinha que passaria despercebida para nós, é o suficiente para atrair a atenção delas pelo cheiro de sangue – que para elas significa alimento.

E não é só o cheiro! Objetos brilhantes, como joias, relógios ou bijuterias, também podem despertar a curiosidade e o instinto de ataque desses peixes. Movimentos bruscos dentro da água funcionam como um gatilho. O recado do professor Kelmo é claro: "quando nós, seres humanos, vamos tomar banho de rio, estamos invadindo a casa delas. Elas moram lá."

Piranhas na Bahia: Onde elas estão e como se proteger

Não pense que as piranhas estão apenas no Rio Paraguaçu. Elas são encontradas em diversos rios do Nordeste e da Bahia, como o Rio das Contas, o Rio Gavião e o Rio das Almas. A presença delas é natural, e o importante é saber como conviver de forma segura.

Para evitar sustos, algumas dicas são essenciais:

  • Evite entrar em regiões de água turva, onde a visibilidade é baixa.
  • Fique longe de áreas onde se sabe que há grande ocorrência de piranhas.
  • Não use objetos brilhantes (relógios, joias, bijuterias) ao entrar na água, pois eles podem atrair os peixes.
  • Se tiver qualquer ferimento, por menor que seja, evite entrar no rio, já que o cheiro de sangue pode atrair as piranhas.
  • Evite movimentos muito bruscos e agitação excessiva na água.

Mito ou Realidade: O Cinema e a Imagem das Piranhas

A imagem aterrorizante da piranha, que devora uma pessoa em segundos, é muito mais um roteiro de Hollywood do que a vida real. Filmes como "Piranha" (2010), que mostra ataques sangrentos e letais, ajudaram a construir esse medo exagerado. Na prática, um ataque de piranhas, como o de Iaçu, embora assustador, não costuma ser fatal ou devastador.

"Mas não é uma coisa comum. Aquilo que a gente sabe de a piranha veio, atacou em dez segundos, em dois minutos virou só o esqueleto da pessoa, isso é coisa de filme. A gente precisa desmistificar essa situação. Não é assim, não é um ataque dessa natureza."

O importante é manter a calma e, caso novos incidentes aconteçam no mesmo local, as autoridades devem investigar mais a fundo para entender o que pode estar causando a mudança de comportamento dos peixes. Por enquanto, a regra é respeitar as interdições e ser um visitante consciente no "lar" das piranhas.