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Leite brasileiro surpreende com menor pegada de carbono global

Estudo inédito revela que a produção de leite no Brasil tem uma pegada de carbono significativamente menor que a média global, destacando o país na sustentabilidade.
Por Redação
Leite brasileiro surpreende com menor pegada de carbono global

Foram analisados 24.349 animais em 28 fazendas localizadas em sete estados -

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O leite que chega à sua mesa no Brasil tem uma novidade de peso, e não é sobre o peso do produto, mas sim sobre o meio ambiente! Um estudo feito por gente séria da Cargill Nutrição e Saúde Animal, junto com a Universidade de São Paulo (USP) e a Embrapa Gado de Leite, mostrou que o nosso leite causa menos impacto no clima do que a média mundial. É como se o Brasil estivesse dando um show de sustentabilidade no setor lácteo.

A pesquisa, batizada de 'Benchmarking da Pegada de Carbono', colocou o nosso país em um lugar de destaque. Pensa só: enquanto, no mundo, a produção de um quilo de leite solta cerca de 2,5 quilos de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) na atmosfera, o leite brasileiro consegue fazer isso com apenas 1,19 quilo de CO₂eq. É uma diferença enorme que faz toda a diferença para o nosso planeta!

Essa boa notícia coloca o Brasil lado a lado com grandes produtores globais. Nossa pegada de carbono é parecida com a da Alemanha, que registra 1,2 quilo de CO₂eq, e bem próxima da dos Estados Unidos, estimada em 1,0 quilo de CO₂eq. Ou seja, estamos competindo de igual para igual quando o assunto é sustentabilidade.

Como a pesquisa chegou a esses números?

Para chegar a esses resultados, os pesquisadores usaram uma metodologia bem completa chamada Avaliação de Ciclo de Vida (ACV). Isso significa que eles olharam para todo o processo, desde o nascimento do bezerro até o leite sair da fazenda, considerando todos os impactos ambientais.

Foi um trabalho gigante! O estudo analisou quase 24,5 mil animais em 28 fazendas espalhadas por sete estados e quatro biomas brasileiros. Juntas, essas fazendas produzem mais de 162 milhões de litros de leite por ano! Essa quantidade enorme de dados permitiu entender bem as diferentes formas de produzir leite no país e ter números confiáveis para comparação.

Mais produção, menos poluição

Uma descoberta importante é que quanto mais eficiente a fazenda é, ou seja, quanto mais leite a vaca produz, menor é a pegada de carbono por litro. Fazendas que produzem mais de 25 litros de leite por vaca por dia, por exemplo, tiveram uma pegada média de 0,90 quilo de CO₂eq. Já as propriedades com produtividade menor registraram 1,58 quilo de CO₂eq. Isso representa uma redução de até 43% nas emissões só por aumentar a produtividade!

Marcelo Dalmagro, diretor de Marketing Estratégico e Tecnologia da Cargill Nutrição e Saúde Animal, explicou a importância disso: “Os dados mostram que decisões técnicas relacionadas ao manejo do rebanho, como ajustes de dieta e tecnologias com foco em eficiência produtiva, impactam diretamente os indicadores ambientais da atividade. Além de vital para a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras, a produtividade passa a ser também um parâmetro associado à redução de emissões dentro da porteira.”

Entre as fontes de emissão, o gás metano que vem da digestão dos animais (chamado metano entérico) foi o principal vilão, respondendo por 47,0% das emissões. A produção de alimentos para o gado fora da fazenda veio em seguida, com 36,8%, e o manejo do esterco contribuiu com 8,1%.

Diferenças entre os biomas

O estudo também notou que o lugar onde a fazenda está faz diferença. O Pampa, lá no sul do Brasil, teve a menor pegada média, com 0,99 quilo de CO₂eq. O Cerrado veio depois, com 1,12 quilo; a Mata Atlântica com 1,19 quilo; e a Caatinga, com 1,50 quilo de CO₂eq por quilo de leite.

Esses resultados mostram que o leite brasileiro não é só saboroso, mas também um exemplo de como a produção de alimentos pode ser mais amigável ao meio ambiente, gerando um impacto positivo e colocando o Brasil em evidência no cenário mundial de sustentabilidade.