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Pico Paraná ganha sinalização extra após jovem se perder

Pico Paraná ganha nova sinalização em entrada irregular após jovem se perder por 5 dias. Medida do IAT visa reforçar segurança e combate a vandalismo.
Por Redação
Pico Paraná ganha sinalização extra após jovem se perder

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O Parque Estadual Pico Paraná, localizado no litoral do estado, recebeu um reforço importante na sinalização de uma de suas entradas. A medida foi tomada pelo Instituto Água e Terra (IAT) depois que um jovem de 19 anos ficou perdido na mata por cinco dias, reacendendo o debate sobre a segurança nas trilhas e a necessidade de seguir as regras dos parques.

A entrada, considerada irregular, agora conta com uma cerca de restrição mais robusta e uma nova placa bem clara: “Acesso Proibido”. Além disso, a nova sinalização orienta todos os visitantes a se dirigirem à base oficial do IAT para fazer o cadastro obrigatório antes de começar qualquer trilha. Essa entrada foi exatamente por onde o jovem desaparecido entrou.

O caso que reacendeu o debate

O caso que trouxe à tona a urgência dessas melhorias foi o de Roberto Farias Tomaz. Ele foi encontrado com vida após cinco dias de busca, tendo caminhado cerca de 20 quilômetros até uma fazenda na localidade de Cacatu, em Antonina, no Paraná. Em depoimento, Roberto contou que se perdeu ao se confundir em uma bifurcação da trilha.

"Eu me perdi em uma bifurcação. Não sabia para onde ir e acabei indo para o lado errado", disse Roberto após ser encontrado.

O IAT explicou que Roberto e sua acompanhante entraram no parque por um caminho não oficial e em um horário em que o local já estava fechado, sem fazer o cadastro obrigatório. Este procedimento é crucial e exige que os visitantes informem dados pessoais, contatos de emergência, horário previsto de entrada e saída, além de detalhes sobre o preparo físico e os equipamentos de segurança que possuem.

Não seguir essas regras pode trazer sérias consequências. Além de dificultar muito as operações de resgate, o descumprimento pode gerar multas que variam de R$ 500 a R$ 10 mil, conforme determina um decreto federal. Para trilhas de alta dificuldade, como as do Pico Paraná, o instituto tem recomendações importantes: nunca vá sozinho, forme grupos de pelo menos três pessoas e, para quem não tem experiência, é fundamental contratar guias ou condutores especializados.

Investimentos e desafios na gestão dos parques

O diretor de Patrimônio Natural do IAT, Rafael Andreguetto, destacou que o instituto está investindo cerca de R$ 50 milhões em melhorias para os parques estaduais. No entanto, ele apontou que a gestão dessas áreas enfrenta grandes desafios, principalmente pela vasta extensão dos locais e pelo vandalismo que acontece de forma recorrente. A nova sinalização no Pico Paraná é parte de um conjunto de investimentos em infraestrutura para as Unidades de Conservação do estado.

O Paraná conta hoje com 74 Unidades de Conservação, sendo que quase 40 delas estão abertas para a visitação pública. O complexo do Pico Paraná, por exemplo, possui trilhas oficiais e um plano de uso público criado para garantir a segurança dos visitantes.

Fepam critica gestão e pede diálogo

Apesar dos esforços do IAT, a Federação de Montanhismo do Paraná (Fepam) publicou uma nota criticando o que chamou de “descaso com os parques de montanha do Paraná”. A Fepam afirma ter um acordo de cooperação técnica com o IAT há mais de cinco anos, realizando trabalhos voluntários importantes, como mutirões de limpeza, controle de acesso, combate a incêndios e doação de equipamentos.

Segundo a Federação, a falta de diálogo e as decisões tomadas de forma unilateral pelo IAT estão contribuindo para um aumento nos casos de pessoas perdidas, vandalismo e a degradação das trilhas. A Federação insiste que um trabalho conjunto e mais transparente é essencial para a segurança e preservação dos parques.