A Polícia Federal (PF) prendeu os cantores MC Ryan SP e Poze do Rodo, além de Raphael Sousa Oliveira, dono da página Choquei, nesta quarta-feira (15). As prisões ocorreram durante a Operação Narcofluxo, que investiga um esquema bilionário de lavagem de dinheiro.
A operação é resultado de meses de investigação sobre a movimentação de mais de R$ 1,6 bilhão, tanto no Brasil quanto no exterior. Os envolvidos são suspeitos de utilizar uma estrutura sofisticada para ocultar a origem dos recursos ilícitos.
Segundo a PF, o dinheiro circulava por meio de empresas, pessoas interpostas e operações financeiras de alto valor, dificultando o rastreamento. Cada um dos presos desempenhava um papel específico dentro do esquema, que possui vínculo estrutural com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Papel dos envolvidos e defesas
MC Ryan SP é apontado pela investigação como líder e principal beneficiário econômico da operação. Ele teria usado empresas de produção musical e entretenimento para misturar dinheiro lícito com recursos de apostas ilegais e rifas digitais. A defesa do MC Ryan informou que não teve acesso ao procedimento, mas ressaltou a "absoluta integridade" do cantor e a "lisura de todas as suas transações financeiras".
Já Poze do Rodo seria um dos vinculados às empresas e estruturas financeiras relacionadas ao dinheiro ilegal, também proveniente de rifas digitais e apostas. A defesa de Poze afirmou desconhecer os autos e o teor do mandado de prisão, prometendo se manifestar na Justiça para "restabelecer sua liberdade".
Raphael Sousa Oliveira, dono da Choquei, atuava na gestão de imagem e promoção digital dos outros envolvidos, segundo a PF. Sua função seria divulgar conteúdos favoráveis ao MC Ryan SP e promover plataformas de apostas e rifas onde o dinheiro ilícito era movimentado. Representantes do influenciador disseram que os valores recebidos se referem à venda de "espaço de divulgação digital" e que Raphael não integra nenhuma organização criminosa.
Outros presos e desdobramentos da operação
Além dos cantores e do empresário, outros três suspeitos foram presos: Tiago de Oliveira, Alexandre Paula de Sousa Santos e Rodrigo de Paula Morgado. Tiago é apontado como braço direito de Ryan e gestor financeiro, Alexandre como intermediário entre plataformas de apostas, e Rodrigo como contador e operador chave do grupo.
Mais de 200 policiais federais participam da operação, cumprindo 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de 77 alvos, entre empresas e pessoas físicas. As investigações continuam e os alvos podem responder por crimes como lavagem de dinheiro e organização criminosa.

